A cooperação entre o Luxemburgo e o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) saiu reforçada de dois dias de conversações centradas na saúde e nos direitos sexuais e reprodutivos, na igualdade de género e na protecção das populações mais vulneráveis. Foi este o eixo que atravessou uma série de encontros bilaterais no Grão-Ducado, num momento em que o sistema multilateral enfrenta pressões crescentes.
A visita de trabalho ficou a cargo de Diene Keita, secretária-geral adjunta das Nações Unidas e directora executiva do FNUAP, que esteve no país a 2 e 3 de setembro. A agenda reuniu-a com vários membros do Governo.
No encontro com o primeiro-ministro, Luc Frieden, esteve em foco a necessidade de preservar o que já foi conquistado no domínio da saúde e dos direitos sexuais e reprodutivos. O contexto internacional, marcado por tensões sobre o multilateralismo, pesou na conversa. Frieden reafirmou a adesão do Luxemburgo a um sistema das Nações Unidas forte e eficaz, e manifestou o apoio ao mandato do FNUAP e ao papel da agência na protecção dos direitos e na promoção da igualdade.
A relação entre as duas partes não é recente. Desde 2004 que o Luxemburgo e o FNUAP mantêm uma parceria alicerçada numa convergência sólida em matéria de saúde global, direitos sexuais e reprodutivos, igualdade de género e protecção de quem vive em maior fragilidade. Esse compromisso foi renovado em setembro de 2025, com a assinatura do quadro de parceria estratégica para o período 2026-2029.
Com o vice-primeiro-ministro e ministro da Cooperação e da Acção Humanitária, Xavier Bettel, a conversa recaiu sobre os progressos alcançados através dos programas da agência. Bettel voltou a garantir o apoio luxemburguês, sublinhando a importância do trabalho do FNUAP junto das populações vulneráveis — em particular mulheres e raparigas — em contextos difíceis.
Já o encontro com a ministra da Igualdade dos Géneros e da Diversidade, Yuriko Backes, debruçou-se sobre os desafios actuais da igualdade de género, os direitos sexuais e reprodutivos e o combate à violência baseada no género. Backes apresentou os avanços do Luxemburgo nestas áreas e insistiu na necessidade de assegurar um acesso efectivo à informação e aos serviços, a par de um reforço da prevenção e da sensibilização. As duas responsáveis abordaram ainda a evolução internacional dos direitos das mulheres e das raparigas, reiterando o valor da cooperação multilateral e da partilha de experiências perante desafios comuns.
Essa troca teve um prolongamento prático. A 3 de setembro, Backes e Keita deslocaram-se ao Centro Nacional para Vítimas de Violência (CNVV), onde foi apresentada a abordagem luxemburguesa ao acolhimento das vítimas — acessível, coordenado e centrado nas suas necessidades. A visita serviu também para estreitar a articulação entre os diferentes profissionais e serviços envolvidos.


