A preparação técnica dos deputados para o processo de reformas do Estado ganhou novo fôlego esta semana, com uma acção de capacitação centrada no Diálogo Nacional Inclusivo. Promovida pelo partido PODEMOS em Maputo, a formação decorre ao longo de três dias e abrange os representantes na Assembleia da República e nas Assembleias Provinciais. Reformas constitucionais e eleitorais, descentralização e participação política estão no centro dos trabalhos.
Segundo o jornal Ikweli, o presidente do partido, Albino Forquilha, explicou que a iniciativa pretende dotar os deputados de conhecimentos técnicos para uma intervenção responsável nas reformas do Estado e na procura de soluções para os recorrentes conflitos pós-eleitorais no país. A ideia é criar consciência sobre o peso do processo. «Sem o conhecimento das matérias mal podemos tratá-las», afirmou, defendendo reformas profundas.
Os confrontos que se repetem depois de cada eleição foram apontados como o maior obstáculo a vencer. Forquilha insiste que o processo tem de ser conduzido com justiça, para que a divisão não sobreviva à contagem dos votos. «É importante que no fim de uma eleição nós sejamos ainda família, sejamos um país, nos abracemos e reconheçamos os resultados que tiverem feito, mas isso pode acontecer se a justiça eleitoral for respeitada ao longo do processo», sublinhou.
Sobre propostas concretas, o dirigente preferiu não se adiantar, para não condicionar o diálogo. «Como um signatário deste acordo de diálogo nacional inclusivo, não adianto propostas, porque senão estaria a dizer que aquilo que eu digo é que deve prevalecer», justificou. Quanto às decisões judiciais que envolvem o PODEMOS — uma providência cautelar e a abertura de um processo por alegada desobediência —, garantiu que o partido respeita os tribunais, mas continuará a usar os meios legais para contestar o que entende ser injusto.


