Um recuo acentuado da compreensão da leitura tornou-se a nota mais inquietante da avaliação internacional de alunos de 15 anos. No Luxemburgo, o resultado nesta competência caiu para 443 pontos, bastante abaixo da média dos países da OCDE, fixada em 461. As ciências, domínio central desta edição, também recuaram, tal como a matemática. O padrão não é isolado: a generalidade dos sistemas educativos europeus regista perdas semelhantes, num ciclo em que a OCDE avaliou cerca de 760.000 alunos de 91 países e economias.
Entre os 6.078 alunos avaliados no Luxemburgo, o português afirma-se como a segunda língua mais falada em casa, com 19,5%, logo a seguir ao luxemburguês (28,8%) e à frente do francês (18,7%). As provas, porém, realizam-se em alemão, francês ou inglês. Para uma comunidade lusófona numerosa, isso significa ler e raciocinar numa língua que não é a do lar — e o Governo do Luxemburgo aponta a complexidade linguística do país como um dos factores que agravam o recuo. O ministro da Educação Nacional, da Infância e da Juventude, Claude Meisch, ligou a quebra aos ecrãs: «A utilização excessiva dos smartphones e das redes sociais tem, uma vez mais, um impacto negativo nos hábitos de leitura dos jovens.»
Portugal seguiu a mesma trajectória descendente, mas manteve-se colado à média da OCDE. Os alunos portugueses obtiveram 462 pontos em leitura, 482 em ciências e 460 em matemática — valores que os situam por volta do 26.º ao 30.º lugar entre mais de noventa participantes, depois de perderem quinze pontos na leitura e doze na matemática face a 2022. A comparação com o Luxemburgo é reveladora: Portugal superou o Grão-Ducado nos três domínios essenciais, com a diferença mais nítida justamente na leitura, onde dezanove pontos separam os dois sistemas.
Nem tudo aponta no mesmo sentido. No novo domínio da aprendizagem em ambiente digital, os dois países ultrapassaram a média da OCDE — o Luxemburgo com 506 pontos e Portugal com 501 —, sinal de que a geração criada entre ecrãs se move com desenvoltura na resolução de problemas informáticos. E há um dado que interessa de perto às famílias imigrantes: no Luxemburgo, a distância de desempenho entre alunos com e sem origem migratória estreitou-se de forma expressiva, passando, na leitura, de trinta e cinco pontos em 2018 para apenas sete.
Fica por resolver o essencial: devolver aos jovens o gosto e a paciência para textos longos e exigentes, base de todas as outras aprendizagens. Meisch defende um esforço partilhado com as famílias, começando pela leitura desde a primeira infância. O olhar vira-se agora para 2029, quando o estudo passará a realizar-se de quatro em quatro anos e integrará uma componente dedicada à literacia em inteligência artificial e nos média. Até lá, os números de 2025 servem de aviso — e de ponto de partida.


