A chegada de um navio com gasolina e petróleo para uso doméstico a São Tomé e Príncipe, esta quarta-feira, 21 de Outubro, veio aliviar a crise de combustíveis que tem afectado o arquipélago. O carregamento permitirá repor as reservas nacionais, depois de vários dias de escassez que provocaram dificuldades à população e aumentaram a pressão sobre o Governo do ADI, liderado por Américo Ramos. Segundo o jornal Téla Nón, o ministro das Finanças, Gareth Guadalupe, assegurou que a quantidade de combustíveis será suficiente para garantir o abastecimento até 2027.
A sucessão de crises no fornecimento levou o Governo são-tomense a preparar uma estratégia para reduzir a dependência das importações, sobretudo de gasóleo. Actualmente, mais de 50% dos custos de importação de combustíveis correspondem ao gasóleo utilizado na produção de energia eléctrica. «Desta importação, que realizamos a um custo extremamente elevado, mais de 50% desse montante destina-se ao gasóleo, o qual ainda representa uma parte substancial da nossa matriz energética», explicou Gareth Guadalupe.
A aposta nas energias renováveis deverá permitir a integração de 10 a 11 megawatts de energia solar na rede eléctrica nacional até ao final de 2026. «Esta é uma forma de enfrentar a crise», sublinhou o governante. Para combater a escassez de petróleo destinado ao consumo doméstico, o Executivo está igualmente a trabalhar na criação de uma fábrica de produção de gás em São Tomé e Príncipe. A iniciativa faz parte das medidas anunciadas para evitar novas rupturas no abastecimento.
A falta de combustíveis tornou-se um problema recorrente no arquipélago. Nos últimos anos, a população habituou-se a acompanhar a aproximação dos navios petroleiros à costa, particularmente na cidade de Neves, no norte da ilha de São Tomé. A chegada de cada embarcação representa um alívio para as famílias e para os sectores económicos afectados pela escassez. Desta vez, a promessa governamental de reservas suficientes até ao próximo ano surge acompanhada de planos para diversificar a produção energética e diminuir a vulnerabilidade do país às importações.



