A riqueza mineral de Moçambique só tem verdadeiro valor quando se traduz em empregos, melhores condições de vida e benefícios concretos para a população. Esta foi a principal mensagem transmitida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante a abertura da Conferência sobre Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis, realizada em Nacala. Perante os conflitos entre comunidades locais e empresas mineiras, o chefe de Estado defendeu que a exploração dos recursos naturais deve contribuir directamente para o desenvolvimento das regiões onde estão instalados os grandes projectos.
A transformação dos minerais dentro do território nacional é uma das prioridades anunciadas pelo Presidente moçambicano. A intenção é deixar de exportar sobretudo matérias-primas e apostar na produção de bens acabados ou semiacabados, permitindo que uma maior parte da riqueza permaneça no país. Segundo o jornal Ikweli, Daniel Chapo destacou os investimentos que actualmente ascendem a 4,2 mil milhões de dólares, defendendo que estes devem impulsionar a criação de empregos, sobretudo para jovens e mulheres, aumentar as receitas nacionais e melhorar a balança de pagamentos. A redução da dependência das importações e o crescimento das exportações fazem igualmente parte desta estratégia económica.
As comunidades que acolhem os megaprojectos mineiros não podem continuar afastadas dos benefícios da exploração dos recursos, advertiu Daniel Chapo. O Presidente exigiu maior responsabilidade social às empresas, nomeadamente através da construção de escolas, centros de saúde e hospitais, bem como da expansão do acesso à água potável e à energia eléctrica. «Os recursos moçambicanos pertencem a todos os moçambicanos, independentemente da sua origem étnica, filiação política ou religião», afirmou. O chefe de Estado saudou ainda o interesse das grandes empresas em investir em Nacala e noutras regiões de Moçambique, considerando esses investimentos fundamentais para o desenvolvimento económico nacional.
A protecção ambiental também esteve no centro das preocupações presidenciais. Daniel Chapo apelou a uma exploração responsável dos recursos minerais, que respeite a qualidade da água, preserve os solos e a biodiversidade e assegure condições adequadas de saúde e segurança aos trabalhadores. Defendeu igualmente processos de consulta transparentes com as populações afectadas pelos projectos mineiros. De acordo com o Ikweli, estas orientações procuram conciliar o crescimento da indústria extractiva com o desenvolvimento sustentável, num país onde a distribuição dos benefícios da riqueza mineral continua a alimentar tensões entre empresas e comunidades.



