A melhoria das ligações ferroviárias entre o Luxemburgo e a região francesa da Lorena ganha um novo impulso com a abertura de um centro de manutenção de comboios em Montigny-lès-Metz. O investimento, que conta com uma contribuição de 50 milhões de euros do Grão-Ducado, pretende aumentar a disponibilidade dos comboios Fluo e preparar a rede ferroviária para o crescimento do tráfego, num eixo essencial para milhares de trabalhadores transfronteiriços.
Segundo o Governo do Luxemburgo, a infra-estrutura representa um investimento estratégico na cooperação ferroviária transfronteiriça. Construído numa antiga zona ferroviária, perto da estação de Metz, o complexo ocupa aproximadamente 12 hectares e tem um custo global previsto de 124 milhões de euros, incluindo 10 milhões destinados à ligação à rede ferroviária. O centro permitirá assegurar a manutenção, preparação e estacionamento de 41 comboios de dois pisos, incluindo 25 composições já utilizadas na região e outras 16 adquiridas à Normandia por 105 milhões de euros. Estas últimas oferecem 556 lugares sentados, contra os 337 dos comboios actualmente utilizados na Lorena, e recebem equipamentos de sinalização ERTMS, num investimento de 18 milhões de euros, para poderem circular no Luxemburgo.
A necessidade de novas instalações surgiu devido às limitações do centro de Metz-Sablon, que já não conseguia acompanhar o aumento da frota e a intensificação da sua utilização. O novo complexo dispõe de quatro vias de oficina e sete vias electrificadas para estacionamento e preparação dos comboios, podendo estas últimas aumentar para dez. O edifício incorpora uma estrutura em madeira e foi concebido com preocupações de eficiência energética. Em funcionamento desde finais de Abril de 2026, deverá atingir a plena capacidade em Dezembro, ficando totalmente operacional para o serviço ferroviário de 2027. Paralelamente, está em curso um programa de renovação da frota, superior a 200 milhões de euros, entre 2023 e 2031.
Para Yuriko Backes, este investimento demonstra que os desafios da mobilidade exigem respostas conjuntas, sobretudo numa região onde milhares de pessoas atravessam diariamente a fronteira para trabalhar. A ministra defendeu que apostar na ferrovia significa construir transportes mais fiáveis, sustentáveis e adaptados às necessidades futuras. Franck Leroy destacou que aumentar a oferta ferroviária exige também capacidade para manter os comboios operacionais. Com este novo centro, o Luxemburgo e a Região Grand Est pretendem reforçar as condições necessárias ao desenvolvimento das ligações ferroviárias entre a Lorena e o Grão-Ducado, melhorando a disponibilidade dos comboios e acompanhando as necessidades crescentes de mobilidade transfronteiriça.



