A reabertura do Estreito de Hormuz pela via militar durou menos de 24 horas. O “Projecto Liberdade” — operação que mobilizou mais de 100 aeronaves, 15.000 militares e uma frota de destróieres para escoltar embarcações encalhadas no estreito — foi suspenso por Donald Trump apenas um dia após o seu lançamento, com o Presidente norte-americano a invocar progressos significativos nas negociações com o Irão. O anúncio foi feito na plataforma Truth Social, contrariando as declarações feitas horas antes pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, que havia caracterizado a missão como inadiável e de carácter humanitário.
Na mesma publicação, Trump justificou a decisão com “o pedido do Paquistão e de outros países” e com os progressos alcançados em direcção a “um acordo completo e final” com Teerão, acrescentando que a suspensão seria por “um curto período” para permitir a conclusão das negociações. O bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, sublinhou, permanecerá em vigor durante a pausa. Rubio, por sua vez, confirmou que a Operação Epic Fury — a ofensiva aérea conjunta dos EUA e de Israel iniciada a 28 de Fevereiro — tinha atingido os seus objectivos, e que Washington havia adoptado uma postura defensiva, preferindo, nas suas palavras, “o caminho da paz.”
O contexto em que surge esta viragem diplomática é de tensão elevada. No dia da operação, as forças norte-americanas destruíram seis lanchas rápidas da Guarda Revolucionária iraniana e neutralizaram mísseis e drones, enquanto o Irão atacou um petroleiro dos Emirados Árabes Unidos no porto de Fujairah — causando três feridos — e disparou contra um navio sul-coreano. O porta-voz do parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, endureceu o tom horas antes da suspensão, declarando, segundo a Mercopress, que “a continuidade do status quo é intolerável para a América, enquanto nós estamos apenas a começar.” O secretário da Defesa, Hegseth, reconheceu que o Irão havia atacado forças dos EUA dez vezes desde o início da trégua, embora “abaixo do limiar” que justificaria a retoma das operações.
A pausa inaugura assim uma nova fase num conflito que, segundo o Comando Central dos EUA, deixou cerca de 23.000 marinheiros de 87 países encalhados no Golfo Pérsico, com pelo menos dez mortos atribuídos ao bloqueio iraniano. O Primeiro-Ministro paquistanês, Shehbaz Sharif — cujo país actua como mediador entre Washington e Teerão — apelou a ambas as partes para que garantam que a trégua “seja mantida e respeitada, de modo a permitir o espaço diplomático necessário para o diálogo.” Trump anunciou ainda que discutirá a reabertura do estreito com o Presidente chinês Xi Jinping durante uma visita planeada à China na próxima semana.


