Os adolescentes estão cada vez mais a recorrer às redes sociais para se manterem atualizados sobre as notícias, sendo o TikTok a plataforma mais popular, segundo um estudo divulgado pela associação e-Enfance/3018. A pesquisa revela que 69% dos jovens entre os 16 e 18 anos afirmam que a sua principal exposição à informação ocorre através das redes sociais.
Quando buscam ativamente por notícias, 40% dos adolescentes optam por meios de comunicação tradicionais, enquanto 38% preferem as redes sociais e 32% recorrem a plataformas de inteligência artificial. Entre os que se informam por redes sociais, quatro em cada cinco jovens nesta faixa etária escolhem TikTok como fonte, destacando a sua relevância no cenário informativo atual.
Para o grupo etário dos 11 aos 18 anos, observa-se que 28% utilizam redes sociais para obter notícias, com 70% dessa percentagem a escolher TikTok. Este dado reflete a crescente influência desta plataforma entre os mais jovens.
O estudo, realizado em janeiro e que envolveu 1.049 jovens, concluiu que três quartos dos inquiridos conseguem identificar informações falsas, como teorias da conspiração e promoções fraudulentas. Contudo, a exposição constante a estas desinformações leva 80% dos entrevistados a expressarem dificuldades em confiar nas fontes de informação.
Para complicar ainda mais a situação, 56% dos jovens confiam nas informações geradas por inteligências artificiais, como a ChatGPT, enquanto 40% raramente ou nunca questionam a veracidade de conteúdos provenientes destas ferramentas. “Entre a desinformação, a circulação veloz de conteúdos nas redes sociais e as capacidades das inteligências artificiais em criar materiais que parecem reais, os adolescentes navegam num ambiente onde os critérios tradicionais de fiabilidade estão a tornar-se cada vez mais frágeis”, refere a associação.
Além da confiança nas redes sociais e na inteligência artificial, um dado alarmante é que apenas 50% dos jovens entre os 16 e 18 anos afirmam confiar no Presidente da República e no governo. Este número cai para 37% entre os jovens de 11 a 13 anos, evidenciando uma crescente desconfiança nas instituições tradicionais.
Estas conclusões destacadas pelo e-Enfance/3018 levantam questões importantes sobre a forma como os jovens consomem informação e as suas implicações a longo prazo na sociedade, refletindo uma necessidade urgente de promover a literacia mediática nas novas gerações.


