A exploração dos estados não-ordinários de consciência e da musicalidade do espaço público vai marcar a programação do Casino Luxembourg – Forum d’art contemporain ao longo do mês de junho, com duas iniciativas que cruzam reflexão filosófica e experimentação artística. A primeira, uma conferência intitulada “Transes, Rêves, Visions: les mondes intérieurs conscients à la source de la créativité”, realiza-se amanhã, 11 de junho, às 18h30, e propõe-se demonstrar a capacidade que todo o ser humano possui de valorizar o sonho nocturno e os estados contemplativos como via de acesso à essência de uma obra de arte. A segunda, a performance “La Ville en Bocal”, decorre entre 18 e 20 de junho.
Conduzida pelo filósofo francês Alexandre Quaranta, a conferência parte da premissa de que os estados de transe, os sonhos e as visões constituem, desde sempre, fontes de inspiração e de contemplação para a criação artística e para avanços decisivos em todos os domínios da actividade humana. Segundo a apresentação do evento, em certos casos — como nos concertos em imersão fotossónica — a própria obra de arte coincide com aquilo que cada participante vive e sente com todos os sentidos e com a imaginação, transformando a experiência e a participação do público no objecto artístico. Filósofo, escritor e professor de yoga do sonho, Quaranta especializou-se no estudo interdisciplinar dos estados de consciência não-ordinários e é autor do tratado “S’étonner d’être: l’éveil à la joie d’être conscience”, publicado pelas edições Originel Accarias.
Já a performance “La Ville en Bocal”, concebida pelo colectivo Les Harmoniques du Néon em colaboração com o conjunto United Instruments of Lucilin, convida os espectadores a tomar lugar no interior da grande galeria envidraçada do Casino Luxembourg, conhecida como o Aquário, para observar e escutar o protagonista principal do espectáculo: o real. Os detalhes discretos e a poesia do quotidiano ganham relevo através da música improvisada no momento pelos instrumentistas, numa proposta que parte de duas interrogações — se se ouve tudo aquilo que se vê e se se vê tudo aquilo que se ouve. A rua surge assim como um “personagem-paisagem” singular, com o qual os músicos dialogam, aproveitando as sonoridades e as situações que o espaço público oferece.
Este encontro inédito entre a musicalidade do exterior e a música instrumental, entre o dentro e o fora e entre o esperado e o imprevisível, cria as condições para uma transformação das percepções e um modo distinto de ouvir e de ver. As três sessões da performance realizam-se na quinta-feira, 18 de junho, às 20h00, na sexta-feira, 19 de junho, às 18h00, e no sábado, 20 de junho, às 17h00. Ambas as propostas têm lugar no centro de arte contemporânea situado na rue Notre-Dame, no coração da cidade do Luxemburgo, fundado em 1996 e dedicado a uma programação internacional assente sobretudo numa geração mais jovem de artistas.


