Não é preciso saber dançar para fazer parte. Basta aparecer, mexer o corpo e deixar a cabeça descansar do trabalho. É essa a promessa de um grupo de Zumba que, em poucos anos, passou de duas participantes curiosas a um projecto com cerca de cinquenta pessoas — dos 4 aos 62 anos, e com a porta aberta a quem tiver 70, 80 ou 90.
Chama-se Flow. O nome não caiu do céu: «É um nome versátil, que dá para tudo», explicou Paula Azevedo, uma das instrutoras, em conversa com o Letzebuerg Hoje. Depois de ponderarem muitas hipóteses, foi o que melhor se enquadrou com aquilo que ela e a parceira, Sílvia, queriam transmitir.
A história começou em 2014, quase por acidente. As duas frequentavam um grupo de Zumba como simples participantes, e foi ali que Paula descobriu algo que nem sabia que existia. «Entrava lá e esquecia tudo», recorda. Nada lhe chamava mais a atenção. O gosto foi crescendo, o professor reparou no jeito das duas e, em 2022, ambas tiraram o curso de instrutoras. A partir daí, foi tudo a rolar de forma natural.
Primeiro veio o grupo de crianças, que correu lindamente. Depois, a pedido de muitas famílias, uma turma para os mais pequeninos. E, mais recentemente, o grupo dos 12 anos em diante — nascido do desejo de várias mães que queriam dançar ao lado dos filhos. Hoje são três turmas: os juniores, dos 4 aos 7 anos; os kids and teens, dos 8 aos 16/18; e os adultos, a partir dos 12. Ao todo, rondam as cinquenta pessoas.
As aulas acontecem três vezes por semana — segundas, quartas e sextas —, em duas escolas de Esch, a Escola do Brill e a de Lallange. E o que se encontra lá? Nas palavras da instrutora, «alegria, músicas bem dispostas, amizade» e, acima de tudo, boa disposição. A música, aliás, é escolhida a dedo. «Quando as músicas vibram em nós, fazemos logo», conta. As que não têm a mesma vibração custam mais a entrar na coreografia.
Há um lado que Paula faz questão de sublinhar: isto também é desporto. Uma forma de sair da rotina, de largar as preocupações à porta. «Para sair do trabalho e ir desanuviar a cabeça», resume. É essa a ideia — o movimento como pausa necessária, não como obrigação.
E a formação conta. A certificação, garante, é o que separa quem sabe o que faz de quem apenas se atira. «Para que não chegue uma pessoa que não tenha formação e diga que vai dar aulas», explica. O grupo integra a rede internacional da Zumba, criada pelo colombiano Beto Pérez, radicado nos Estados Unidos, e que hoje conta com instrutores certificados um pouco por todo o mundo.
Por trás das aulas há trabalho que ninguém vê. Leques personalizados, bolas, lenços — miudezas preparadas para as apresentações fora de portas, todas custeadas pelo próprio grupo. E há uma rede de apoio que Paula não esquece: os pais, sempre presentes, a responsável de relações públicas, Melani, e Ana Azevedo, que trata das redes sociais.
O que talvez melhor defina o Flow é a abertura. Dos 4 aos 62 anos, e para lá disso, todos cabem — incluindo uma criança com necessidades especiais, na turma kids and teens. Até os homens, ainda poucos, são bem-vindos. «Estamos abertos a todos», afirma. A quem hesita, com o velho argumento de que não sabe dançar, deixa um recado simples: com o tempo, a dança aparece. Flui.
Para o futuro, há vontade de abrir mais uma turma de adultos. O centro, esse, fica onde está.


