Uma fractura política de crescente visibilidade ameaça a unidade do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), com um grupo de opositores internos a anunciar a realização de um congresso do partido para o próximo fim de semana, à margem da direcção oficial liderada por Domingos Simões Pereira.
A convocatória, que não conta com o aval das estruturas formais do PAIGC, foi de imediato contestada pela direcção do partido, que a classificou como ilegal e recusou reconhecer qualquer legitimidade ao acto. A iniciativa gerou um clima de tensão entre militantes e lançou incertezas sobre a coesão interna da formação política num momento particularmente sensível para a Guiné-Bissau.
As divisões que agora se tornam mais visíveis têm vindo a acumular-se nos últimos meses, reflectindo uma disputa pelo controlo da organização entre diferentes correntes internas. A realização ou o colapso deste congresso paralelo poderá ter consequências directas nas próximas eleições e na configuração da dinâmica política guineense, num país onde o PAIGC mantém um papel central na vida institucional.
Face ao agudizar das tensões, a direcção do partido apelou aos seus membros para que preservem a coesão interna e se abstenham de acções susceptíveis de comprometer a integridade e a credibilidade da organização. O apelo surge numa conjuntura em que a Guiné-Bissau continua a enfrentar desafios estruturais no processo de estabilização política.


