O fado volta a soar em Cabo Verde com uma programação que combina música ao vivo, cinema documental e reflexão cultural. Entre os dias 17 e 19 de Junho, a Cidade da Praia recebe a segunda edição do Festival de Fado, num evento que reúne artistas de referência do género e aprofunda o diálogo entre a tradição lisboeta e as comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo. A informação foi avançada pela organização numa nota enviada à redacção.
A abertura do festival, marcada para o dia 17, decorre no Centro Cultural Português com a exibição do documentário “Do Bairro”, realizado por Diogo Varela Silva. O filme transporta o espectador para o coração histórico de Lisboa, onde figuras emblemáticas dos bairros partilham as suas histórias e memórias. A obra explora a rica miscigenação cultural da capital portuguesa, traçando pontes entre a música tradicional e as filosofias que dão sentido às vivências comunitárias. O documentário reflecte igualmente sobre as transformações impostas pela pandemia e o seu impacto sobre as comunidades que habitam lugares como Alfama e a Mouraria, onde o fado ainda ressoa nas desgarradas e a resiliência dos seus habitantes resiste ao turismo e às crises sanitárias.
No dia 18, o Auditório Nacional Jorge Barbosa recebe Beatriz Felício, cantora e compositora portuguesa de 25 anos que se tem afirmado como uma das vozes mais promissoras da música em Portugal. A artista apresentará em Cabo Verde o seu álbum de estreia homónimo, editado em 2024 pelo Museu do Fado, após uma digressão por vários países e actuações em palcos de prestígio internacional. Beatriz Felício conta já com colaborações com artistas consagrados e participações em eventos de referência dentro do universo do fado.
O festival encerra no dia 19, de novo no Centro Cultural Português Praia, com uma conferência e concerto subordinados ao tema “O Fado e os Bairros”, protagonizados pelo fadista Rodrigo Costa Félix. Com três décadas de carreira, Rodrigo é uma figura incontornável do fado contemporâneo. O seu primeiro álbum, “Fados de Amor”, recebeu em 2013 o prémio Amália Rodrigues para o melhor disco de fado, e o trabalho mais recente, “Tempo”, foi distinguido pela revista Songlines como “Top of the World”. Em palco, o artista propõe uma viagem pelos bairros tradicionais de Lisboa, evocando histórias e sensações que constituem a identidade da cidade, numa síntese em que a saudade, a memória e o presente se fundem numa só voz.
A primeira edição do festival teve lugar na Cidade da Praia em Setembro do ano passado. Criado em Madrid em 2011, o Festival Internacional de Fado — nesta edição intitulado “O Fado e os Bairros” — tem promovido a língua e a cultura portuguesa em 21 cidades de 15 países, percorrendo a Europa, a Ásia, África e a América Latina.


