Num dos sistemas educativos mais competitivos do mundo, famílias chinesas estão a integrar rapidamente a inteligência artificial (IA) no dia a dia dos filhos, utilizando chatbots, jogos interactivos e dispositivos de tradução para melhorar o desempenho escolar.
Segundo o The New York Times, esta adesão massiva contrasta com a maior cautela nos Estados Unidos. Um estudo global da KPMG, divulgado em 2025, indica que mais de 90% dos chineses encaram a IA com optimismo, face a pouco mais de metade dos norte-americanos.
Entre as soluções mais utilizadas estão ferramentas como o Doubao, desenvolvido pela ByteDance, que funciona como um explicador virtual permanente. Pais recorrem ao sistema para esclarecer dúvidas, corrigir trabalhos através de fotografias e acompanhar o progresso dos filhos, reduzindo a necessidade de explicações pagas e até conflitos familiares.
Há também quem utilize IA para ultrapassar barreiras linguísticas. Uma mãe na província de Heilongjiang adoptou um dispositivo de tradução em tempo real para incentivar os filhos a praticar inglês em casa. Apesar de algumas limitações, a solução ajudou a melhorar a confiança das crianças na comunicação.
Noutros casos, a tecnologia é usada de forma mais criativa. Em Shenzhen, uma profissional de marketing recorreu ao DeepSeek para criar jogos educativos personalizados para a filha, mesmo sem conhecimentos de programação, partilhando depois as instruções com outros pais.
De acordo com a mesma fonte, este entusiasmo está a alimentar um mercado de tecnologia educativa avaliado em mais de 43 mil milhões de dólares, embora nem todas as soluções sejam fiáveis.
Apesar das dúvidas sobre privacidade, dependência e qualidade da informação, muitos pais vêem na inteligência artificial uma ferramenta prática para aliviar a pressão escolar e preparar os filhos para um futuro cada vez mais digital.


