O Governo britânico uniu-se na sexta-feira em torno da sua reivindicação de soberania sobre as Malvinas, após a divulgação de um e-mail interno do Pentágono que sugere a revisão do apoio diplomático dos EUA a Londres em relação ao arquipélago, em retaliação pela recusa do Reino Unido em se juntar à ofensiva militar contra o Irão. A resposta institucional foi acompanhada por uma frente política que incluiu partidos da governação e da oposição, bem como o próprio governo das Malvinas, no contexto da iminente visita de Estado do Rei Carlos III aos Estados Unidos, como avançou a Mercopress.
Um porta-voz do Primeiro-Ministro Keir Starmer declarou que a soberania “repousa sobre o Reino Unido” e invocou o direito à autodeterminação dos habitantes das ilhas. “Não poderíamos ser mais claros sobre a posição do Reino Unido em relação às ilhas”, afirmou, acrescentando que a posição tem sido transmitida “de forma clara e consistente a sucessivas administrações norte-americanas” e que “nada vai mudar isso”. O governo das Malvinas emitiu um comunicado expressando a sua “completa confiança” no compromisso de Londres em defender o seu direito à autodeterminação.
A reacção foi além do partido governamental. A líder dos Conservadores, Kemi Badenoch, classificou a suposta posição dos EUA de “absolutamente absurda”, enquanto o líder do Reform UK, Nigel Farage, afirmou que a soberania do arquipélago é “absolutamente não negociável” e indicou que levantaria a questão com o Presidente argentino Javier Milei quando se encontrarem mais tarde este ano. O líder dos Liberal-Democratas, Ed Davey, renovou o seu pedido para cancelar a visita de Estado do Rei, agendada para começar na segunda-feira.
De Buenos Aires, o Ministro dos Negócios Estrangeiros argentino, Pablo Quirno, reafirmou nas redes sociais os direitos soberanos do seu país sobre as ilhas e reiterou a disposição para “retomar negociações bilaterais com o Reino Unido que permitam encontrar uma solução pacífica e definitiva”. A Casa Branca ainda não tinha emitido comentários oficiais sobre o memorando até ao fecho deste artigo. Este desenvolvimento acontece apenas três dias antes da visita de Estado do Rei Carlos III e da Rainha Camilla aos Estados Unidos, marcando um novo ponto de fricção numa relação bilateral que tem sido tensionada por conflitos diplomáticos e militares nas últimas semanas.


