A guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão está a provocar uma forte perturbação no mercado energético global, afetando sobretudo o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL). O bloqueio quase total do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de energia, está a travar exportações e a gerar preocupação internacional.
Segundo a Al Jazeera, países produtores como a Arábia Saudita estão a desviar petróleo por vias alternativas, enquanto o Qatar suspendeu a produção de gás após ataques a infraestruturas energéticas. O GNL, que representa cerca de um quarto do consumo energético mundial, é essencial para eletricidade, indústria e aquecimento.
A crise já está a afetar setores-chave, como a produção de fertilizantes, dependente do gás natural. Vários produtores reduziram ou suspenderam operações, aumentando o risco para a agricultura global. Além disso, a escassez de hélio — subproduto do gás — começa a causar impacto em áreas como a saúde e os centros de dados.
Os efeitos são mais severos em países asiáticos altamente dependentes de importações, como o Paquistão e o Bangladesh, que já adotaram medidas de emergência para gerir a crise energética. A Índia também está a recorrer mais ao carvão para compensar falhas no abastecimento.
Com o conflito ainda em curso, a instabilidade no Golfo evidencia a fragilidade das cadeias globais de energia e levanta sérias dúvidas sobre a segurança do abastecimento mundial nos próximos meses.


