A procuradoria de Paris anunciou que se encontra a realizar buscas nos escritórios da rede social X, propriedade de Elon Musk, como parte de uma investigação iniciada em janeiro de 2025. Esta informação foi divulgada esta terça-feira, segundo a France 24, com a unidade de cibercrime da procuradoria a liderar as operações, em colaboração com a Europol e o departamento de cibercrime da polícia francesa.
A investigação foi desencadeada após um contacto de um legislador que alegou que algoritmos tendenciosos da X poderiam ter distorcido o funcionamento de um sistema automatizado de processamento de dados. Desde então, o inquérito expandiu-se para incluir alegações de “complicidade” na difusão de imagens pornográficas de menores, deepfakes sexualmente explícitos, negação de crimes contra a humanidade e manipulação de sistemas automatizados de processamento de dados em grupo, conforme avançou a procuradoria em comunicado.
Os procuradores de Paris convocaram Elon Musk e a ex-CEO Linda Yaccarino para serem ouvidos em abril de 2026 como parte deste processo. “Os convites para entrevistas voluntárias foram enviados ao Sr. Elon Musk e à Sra. Linda Yaccarino, na sua qualidade de gestores de facto e de direito da plataforma X na época dos eventos”, informou a procuradoria. Yaccarino renunciou ao cargo de CEO em julho do ano passado, após dois anos à frente da empresa.
Além disso, a procuradoria de Paris anunciou que vai deixar de usar a plataforma X para se comunicar com o público, optando por utilizar o LinkedIn e o Instagram, pertencentes à Microsoft e Meta, respetivamente.
A procuradoria deu publicidade ampla à operação, afirmando que o ato foi um abuso da lei destinado a realizar objetivos políticos ilegítimos. A equipa de Assuntos Governamentais Globais da X reagiu às acusações, afirmando que estas são infundadas e que a plataforma nega categoricamente qualquer infração.
Elon Musk criticou a ação das autoridades francesas, classificando-a de “ataque político” e aconselhando-as a focarem-se na luta contra criminalidade sexual.
No Reino Unido, o regulador de dados lançou também investigações sobre a X e xAI de Musk, para apurar se cumpriram a legislação de proteção de dados pessoais no que respeita à geração de deepfakes sexualizados pelo chatbot Grok. Segundo o Escritório do Comissário de Informação, a criação e circulação deste tipo de conteúdo levantam preocupações sérias sob a lei de proteção de dados britânica e podem representar riscos significativos para o público, especialmente para os menores.
O regulador do Reino Unido, Ofcom, também iniciou uma investigação separada relacionada à X no mês passado, que ainda está em curso e deverá demorar meses até ser concluída.
A complexa rede de investigações em torno da X de Elon Musk levanta questões significativas sobre a responsabilidade das grandes plataformas digitais na gestão de conteúdo e proteção de dados. Com várias entidades a intervir, a situação está longe de se resolver.


