Tornar obrigatório o ensino da língua portuguesa já a partir do nível pré-escolar é a proposta apresentada no Parlamento timorense, com o argumento de que o idioma faz parte da própria identidade nacional e constitui um instrumento essencial de comunicação na administração pública.
A recomendação partiu do deputado Joaquim dos Santos Borluli, que sublinha o estatuto do português como língua oficial, consagrado no artigo 13.º da Constituição da República Democrática de Timor-Leste. «Sugerimos que o Ministério da Educação introduza a língua portuguesa na educação pré-escolar, e que isso seja obrigatório», afirmou o parlamentar.
O arranque deve ser precoce. É no pré-escolar, defende, que se lançam os alicerces da aprendizagem e se torna mais fácil, mais tarde, comunicar em português — daí a insistência na colocação de docentes especializados em linguística logo nesta etapa. A aposta tem um horizonte claro: dentro de uma década, garante, a nova geração já saberá falar a língua. De acordo com o semanário The Dili Weekly, que noticiou a iniciativa, Borluli considera que todos os cidadãos devem dominar o idioma precisamente por este ser oficial.
Do lado do Governo, a ministra da Educação, Dulce de Jesus, lembrou que o português já está presente na educação pré-escolar, ainda que a um nível básico, ajustado às capacidades das crianças. «Nestes primeiros anos, os alunos aprendem apenas cores, frutas, animais, letras e números. Os professores transmitem estes conteúdos em português e em tétum, para que as crianças compreendam», explicou.
Nesta faixa etária, entre os três e os seis anos, a aprendizagem faz-se sobretudo pela brincadeira, e não tanto pelas disciplinas académicas. Ainda assim, a responsável valorizou os contributos para melhorar o sistema. «Recebemos com agrado todas as sugestões para melhorar o desenvolvimento educativo em Timor-Leste, porque essa é uma responsabilidade colectiva», sublinhou.
Quanto ao corpo docente, o Ministério recrutou recentemente 67 professores de língua portuguesa, destinados a escolas desde o pré-escolar até ao ensino secundário. Estes profissionais continuam a frequentar acções de formação para reforçar a sua capacidade de ensinar o idioma. E o investimento na formação, garante a tutela, não se limita ao português, estendendo-se a outras áreas do saber.


