As sobremesas e os petiscos tradicionais de Cabo Verde ganham um novo compêndio bilingue, que chega ao público no próximo sábado, dia 25, no Centro Cultural Cabo Verde (CCCV), em Portugal. É a segunda obra da chef Ália dos Santos, que volta a levar a mesa cabo-verdiana para lá do arquipélago.
Intitulado «Sobremesas e Surpresas da Chef Ália – O Saber e os Sabores de Cabo Verde», o livro debruça-se sobre doces, salgados e petiscos. Segundo o Expresso das Ilhas, a obra reúne uma grande diversidade de receitas — bolos com coberturas, gelados, mousses, pastéis de nata e doces bem enraizados na tradição das ilhas, como o doce de azedinha e o doce de papaia. À imagem do primeiro trabalho da autora, «Temperos da Chef Ália», as receitas estão escritas em português e em inglês, opção que alarga o alcance a um público mais vasto.
Ália Lopes dos Santos nasceu em Picos, no concelho de São Salvador do Mundo. A infância ficou marcada pela morte da mãe, Bibinha, e a menina passou a viver com a avó, Nha Kumazinha, em Leitãozinho. Já em idade escolar, juntou-se ao pai, Filipe dos Santos Tavares, professor de profissão, na Cidade da Praia.
Depois veio a política. A simpatia e o à-vontade no trato com as pessoas cedo chamaram a atenção de dirigentes, que viram nela um raro talento comunicativo. Começou por trabalhar com José Araújo no Ministério da Educação e Desportos, onde secretariou o ministro Corsino Tolentino. Seguiu-se o Ministério da Justiça, ao serviço de Corsino Fortes, e depois a Secretaria de Estado da Juventude e da Promoção Social. Regressou à Educação e passou ainda pelo Ministério da Cultura e Comunicação, na equipa de Ondina Ferreira. Fechou o ciclo no funcionalismo público a secretariar Teófilo Silva, primeiro-secretário da Assembleia Nacional.
E foi precisamente Ondina Ferreira quem lhe apontou outro caminho. A ministra reconheceu-lhe dotes para o negócio e encorajou-a a arriscar. Em 1995 nascia o Restaurante a Esquina, no Plateau, junto ao acesso ao Hospital Agostinho Neto. O movimento cresceu depressa. As encomendas não paravam, o espaço tornou-se pequeno e a mudança impôs-se.
Assim surgiu o emblemático Quintal da Música, também no Plateau. Mais do que uma casa de restauração, o espaço reservou um palco à cultura nacional — morna, coladeira, batuco, funaná — abrindo portas à divulgação dos artistas cabo-verdianos.


