A consolidação da extensão universitária como pilar estratégico do ensino superior brasileiro esteve no centro das discussões do 4.º Encontro de Cultura e Extensão das Universidades Estaduais Paulistas, realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com a participação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O evento, que decorre anualmente de forma rotativa entre as três instituições desde 2023, reuniu responsáveis académicos para debater os obstáculos que ainda travam uma extensão universitária mais robusta e integrada.
Amâncio Jorge de Oliveira, pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP, identificou cinco desafios centrais, a começar pela heterogeneidade conceptual que divide a área entre correntes assistencialistas e outras mais focadas no empreendedorismo e na inovação. Criticou igualmente a forma como a curricularização da extensão tem sido aplicada — de modo burocrático e sem incentivos reais para os docentes —, e defendeu a criação de uma política estável de financiamento, à semelhança do que existe para a investigação científica através dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids), apoiados pela Fapesp desde 2000.
No domínio das métricas de avaliação, Oliveira admitiu que os instrumentos actuais falham na medição do impacto real da extensão, restringindo-se frequentemente ao registo de eventos. Sugeriu que as novas ferramentas de inteligência artificial poderão transformar esta realidade, e revelou que a USP criou um gabinete dedicado à valorização e optimização dessas métricas. O seu apelo final foi à transição de projectos isolados para iniciativas de maior escala, articuladas com políticas públicas.
Raul Borges Guimarães, pró-reitor de Extensão Universitária e Cultura da Unesp, reforçou a necessidade de superar a visão redutora da extensão como mera transferência de conhecimento para a sociedade. Invocando o pensamento de Paulo Freire, defendeu que a extensão deve constituir uma via de duplo sentido — uma forma legítima e activa de construção partilhada do saber, em que a universidade tanto contribui como aprende com os demais segmentos sociais.


