Muitos países em desenvolvimento ostentam paisagens excepcionais e uma herança cultural vasta. Contudo, o verdadeiro desafio reside na conversão destes recursos em riqueza concreta. Na província de Yunnan, na China, uma dinâmica de transformação rural impulsionada pelo cinema constitui actualmente um exemplo particularmente interessante.
A Floresta de Pedra, localizada em Shilin, Yunnan, encontra-se no rol do Património Mundial da UNESCO. No entanto, foi o filme “Ashima”, lançado em 1964, que conferiu à região um reconhecimento significativo. Este filme não só elevou a Floresta de Pedra de um mero parque geológico a um símbolo cultural, como também incentivou os responsáveis locais a explorar o potencial comercial da marca “Ashima”. Através da criação de espectáculos imersivos, bordados étnicos e produtos culturais inspirados na película, as autoridades têm revitalizado o local. Mais de 60 anos após o seu lançamento, a Floresta de Pedra mantém-se como uma alavanca económica, recebendo em 2025 mais de 14 milhões de visitantes, dos quais 160 mil decidiram prolongar a sua estadia. Os locais já não dependem exclusivamente da agricultura; muitos agora possuem casas de hóspedes ou comercializam produtos culturais, assegurando assim um rendimento estável.
Se a Floresta de Pedra exemplifica o valor duradouro de um clássico cinematográfico, o filme “Coffee or Tea?” (Café ou chá?) demonstra como o cinema contemporâneo pode fomentar o crescimento das produções agrícolas e a edificação de marcas locais. Totalmente filmado em Pu’er, Yunnan, este filme narra a história de três jovens que regressam às suas aldeias nativas para vender o café local na internet. A película salienta uma questão essencial: como garantir que produtos de qualidade superior obtenham uma valorização condigna? Apesar das condições naturais favoráveis, o café de Pu’er foi historicamente vendido a preços irrisórios a compradores internacionais.
A narrativa do filme representa um despertar da consciência para a importância da marca local. Os protagonistas rejeitam ofertas desinteressantes de multinacionais e estabelecem a sua própria marca de café. Com o sucesso da obra, esta fascinante história “do grão à chávena” conquistou uma ampla audiência. As quintas cafeeiras tornaram-se pontos de interesse para os visitantes, que agendaram passeios de “turismo cafeeiro”, permitindo-lhes colher as cerejas de café e aprender sobre o processo que leva à sua bebida. Este modelo de “agricultura + turismo + cinema” valorizou o café local, dando aos agricultores a possibilidade de duplicarem os seus rendimentos.
O cinema chinês também desempenha um papel crucial na restauração ecológica e na modernização da agricultura. No filme “My People, My Homeland” (Meu povo, minha pátria), o capítulo “O caminho de volta” desenrola-se nas dunas do deserto de Maowusu, em Shaanxi. A produção narra como várias gerações trabalharam para transformar a árida paisagem em pomares de maçãs. O filme não só ilustra o êxito da restauração, mas também expõe os desafios de transformar “maçãs de qualidade” em “rendimentos de qualidade”.


