Cerca de 250 cirurgias, 160 colocações de dispositivos intra-uterinos (DIU) e mais de 700 ecografias constituem o balanço da edição de 2026 da Expedição Cirúrgica, projecto de extensão universitária da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) que, pela primeira vez, chegou ao Norte do Brasil. Segundo o Jornal da USP, a iniciativa decorreu em Castanhal, na região metropolitana de Belém, no estado do Pará, entre 26 de junho e 5 de julho, com uma equipa multidisciplinar de cerca de 100 voluntários.
Criado em 2013 e apoiado desde 2025 pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, o projecto tem como objectivo levar atendimento cirúrgico de excelência a regiões remotas do Brasil, aliando a assistência à formação prática, social e humanitária dos estudantes de medicina. A actividade assenta em três pilares — ensino, assistência e investigação — e abrange as áreas de ginecologia, anestesiologia, radiologia, cirurgia do aparelho digestivo, dermatologia, patologia e, pela primeira vez este ano, ortopedia. Na edição de 2026 foram realizadas 47 cirurgias ginecológicas, 43 do aparelho digestivo e 160 dermatológicas, além das colocações de DIU e dos exames de ecografia. O idealizador e coordenador da iniciativa, o ginecologista e professor Maurício Abrão, sublinha o espírito do projecto: «A expedição cirúrgica foi uma iniciativa que sempre mirou na perspectiva de levar assistência, saúde a sítios remotos do Brasil com qualidade e um desejo absoluto de deixar um legado não só na região, mas um legado para pacientes locais e futuras que pudessem ser atendidas. E também para os alunos da Medicina e para nós mesmos que apoiamos e coordenamos com tanto afinco essa actividade».
A escolha de cada cidade é um processo contínuo, que se inicia praticamente após o final de cada expedição e dura cerca de 12 meses, com avaliação do número de habitantes e da existência de um hospital com condições para cirurgia minimamente invasiva. No caso de Castanhal, o contacto partiu em 2025 da vice-presidente da câmara municipal, Mylene Costa, médica anestesiologista, em conjunto com a equipa da Secretaria de Saúde local. Em janeiro de 2026 realizou-se uma visita técnica para avaliar a viabilidade estrutural e logística e assinar o contrato com o município, e nos dias 28 e 29 de março decorreu a triagem, com 791 atendimentos entre consultas e exames de ecografia. Nas redes sociais, Mylene Costa classificou a recepção do projecto como «motivo de orgulho, gratidão e, acima de tudo, de compromisso com uma saúde pública cada vez mais qualificada», acrescentando: «É uma honra estar ao lado de Maurício Abrão, fundador da Expedição Cirúrgica, cuja trajectória inspira pelo compromisso com a assistência, o ensino e a transformação de vidas».
A equipa de voluntários integrou 30 estudantes da Faculdade de Medicina, 14 anestesiologistas, 13 ginecologistas, nove radiologistas, oito cirurgiões do aparelho digestivo, quatro dermatologistas e um ortopedista, além de enfermeiras, instrumentadoras, profissionais de comunicação e representantes de empresas de equipamentos médicos que apoiam a iniciativa. Ao longo de 13 anos de actuação, interrompidos apenas durante a pandemia de covid-19, em 2020 e 2021, o projecto passou por 11 cidades brasileiras e realizou mais de 6.000 atendimentos, que, de acordo com a coordenação citada pelo Jornal da USP, permitiram eliminar a lista de espera em ecografia em nove dessas localidades.


