Uma bala disparada por soldados israelitas tirou a vida a um bebé palestiniano de sete meses na região ocupada de Hebron, na Cisjordânia, numa ocorrência que voltou a expor a brutalidade do conflito nos territórios palestinianos. O projectil atingiu o rosto da criança enquanto a família seguia de automóvel, ferindo também os pais, conforme confirmou o ministério da saúde palestiniano.
O exército israelita alegou que os soldados dispararam por considerarem que o veículo parecia estar a aproximar-se em aceleração na sua direcção. Uma investigação preliminar concluiu, no entanto, que os três feridos eram civis sem qualquer envolvimento em actividade hostil. O pai do bebé, Fahd Abu Haikal, professor na Universidade de Belém, relatou ao HuffPost, que cita material da agência Associated Press, que a bala atravessou primeiro o pára-brisas, feriu a sua mão direita e atingiu de seguida a criança e a mãe, que se encontravam no banco traseiro. Outra bala atingiu o capô do veículo, segundo repórteres presentes no local. A mãe encontra-se em estado crítico, com estilhaços muito próximos do coração.
O corpo do menino, Sam Fahd Abu Haikal, que completara sete meses precisamente na sexta-feira, foi envolto numa bandeira palestiniana para a cerimónia fúnebre. “Ele era todo o meu mundo”, disse o pai, exigindo justiça e recusando a classificação do sucedido como um erro: “Nada é chamado de erro.” A avó, Feryal Abu Heikal, que também seguia no automóvel, recordou que pararam ao avistar veículos militares ao longe, julgando inicialmente tratar-se de tiros de aviso. “A cena era horrível. Ver um bebé de sete meses com o rosto desfeito… Que tipo de exército no mundo faz isto?”, lamentou. Dados da organização israelita de direitos humanos Yesh Din apontam que, entre 2016 e 2024, menos de 1% dos casos de danos a palestinianos por militares israelitas resultaram em acusações formais.
As hostilidades na Cisjordânia têm vindo a intensificar-se desde o início da guerra em Gaza, em Outubro de 2023. Segundo dados das Nações Unidas, mais de mil palestinianos, incluindo pelo menos 240 crianças, foram mortos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental desde então. No sábado, oito pessoas ficaram feridas em ataques de colonos na localidade de Huwara, perto de Nablus, com casos de inalação de gás lacrimogéneo e ferimentos por balas de borracha. Em Gaza, um ataque aéreo israelita matou pelo menos sete civis, entre eles duas mulheres e uma menina, da mesma família, num acampamento junto à escola Rimal. Paralelamente, em Cairo, decorreu uma nova ronda de negociações entre o Hamas e mediadores do Egipto, Qatar e Turquia, com vista à plena aplicação do acordo de cessar-fogo que entrou em vigor em Outubro, procurando pôr fim aos ataques israelitas que, pese embora a redução dos combates intensos, continuam a verificar-se quase diariamente.


