Uma série de sete exposições estivais transforma, entre 17 de julho e 30 de agosto, um espaço patrimonial de Differdange numa galeria de arte contemporânea. A iniciativa, apresentada sob o título «La(rt) sauvage», ocupa a igreja Sainte-Barbe, no coração da aldeia de Lasauvage, com uma programação que percorre a pintura, a fotografia, a gravura e as técnicas mistas, reunindo artistas luxemburgueses e internacionais, alguns já consagrados e outros em início de carreira. A entrada é livre em todas as mostras, que decorrem aos fins-de-semana ao longo de sete semanas consecutivas. O arranque do projecto será assinalado por um vernissage único, marcado para quinta-feira, dia 16 de julho, às 18h30.
A primeira dupla de exposições, patente entre 17 e 19 de julho, junta os trabalhos de Jamie Munhowen e Ave Clesen-Schmidt. Em «Between Worlds», Munhowen explora os espaços públicos e semipúblicos do quotidiano urbano, de pátios interiores e bares de bairro em Berlim a zonas coloridas descobertas ao longo das suas viagens, com telas que oscilam entre a abstracção e a figuração e que procuram captar a atmosfera e a ressonância emocional dos lugares, mais do que a sua aparência literal. Em paralelo, «Full Moon Dialogue», de Clesen-Schmidt, debruça-se sobre uma feminilidade atravessada pelo tempo, inspirando-se na mitologia e em arquétipos femininos para dar corpo a figuras sensíveis e indóceis, que afirmam a sua singularidade face a estruturas patriarcais e a tendências culturais superficiais.
Entre 24 e 26 de julho, Florence Giorgetti apresenta «Holy Cow», uma reflexão sobre a veneração de determinados animais, como vacas, cobras ou gatos, em várias culturas do mundo, questionando o lugar do animal num contexto divino.
De 31 de julho a 2 de agosto, é a vez de Claire Everling e Marie Thill partilharem o espaço em «Un moment de suspension». O universo delicado das imagens de Everling convida o observador a um momento de silêncio e introspecção, em que o tempo parece suspenso, enquanto Thill desenvolve uma pesquisa pictórica centrada na presença frágil do corpo humano, entre a aparição e o desaparecimento, em diálogo com a iconografia do corpo post-mortem.
Entre 7 e 9 de agosto, Frank Yvan assina a exposição individual «EX.EX. 2026», dedicada a trinta anos de expressionismo selvagem no Luxemburgo. Nascido no Luxemburgo em 1970 e marcado pela cultura new wave e gótica dos anos 80, o artista bebe influências de Egon Schiele, Franz Kafka, Francis Bacon ou Hieronymus Bosch. Membro do atelier de gravura Empreinte e do Kënschtlerkrees ARC, expõe desde 2005 no Luxemburgo e no estrangeiro, reunindo nesta mostra pinturas, linogravuras, gravuras e marionetas.
De 14 a 16 de agosto, o fotógrafo neerlandês Wouter van Wessel, nascido em 2000 e criado na Suécia, apresenta «The Sky Is a Hazy Shade of Winter». Recorrendo à fotografia documental analógica a preto e branco, o artista explora comunidades em mutação, com particular destaque para um projecto de longo curso desenvolvido na região sueca de Bergslagen, marcada pelo encerramento das minas de ferro nos anos 80. Através de retratos e paisagens, a exposição constrói um testemunho visual íntimo sobre um mundo rural marcado pela memória, o isolamento e uma melancolia silenciosa, reunindo tiragens fotográficas e publicações.
Entre 21 e 23 de agosto, Tina Kayser e Paul Van der Grijp dividem o espaço em «Skin/Les lumières de Paulva». Assistente social com quase dez anos de experiência, Kayser faz da pintura a óleo um meio de transformar os seus encontros quotidianos, colocando o ser humano no centro da sua exposição «Skin» e celebrando a diversidade, a vulnerabilidade e a beleza que nos ligam para além da superfície. Van der Grijp apresenta, por sua vez, abstracções e semiabstracções experimentais em acrílico combinadas com fragmentos de metais tratados industrialmente, fixados sobre painéis de madeira, numa técnica mista que revela novos detalhes a cada olhar, à medida que o brilho dos metais muda com a hora do dia e o ângulo da luz, evocando por vezes a forma dos vitrais da própria igreja Sainte-Barbe.
A temporada encerra entre 28 e 30 de agosto com os trabalhos de Chris Ella Dick e Walther Adriaensen. Vinda do desenho de banda desenhada, Dick apresenta instantâneos de pessoas capturadas no fluxo do tempo, com obras narrativas que retratam momentos de vida serenos, como um homem a ler no sofá ou amigos a conversar num café, pequenos contrapontos poéticos face à agitação da época actual. Adriaensen dedica, por seu lado, a sua investigação artística recente às nuvens, entre o abstracto e o tangível, com pinturas a óleo sobre painéis de madeira que traduzem o movimento e a força das formações nublosas, numa procura de equilíbrio entre leveza, energia e espacialidade.
A igreja Sainte-Barbe, em Lasauvage, recebe as exposições todos os fins-de-semana, com horário de abertura à sexta-feira das 15h às 20h, e ao sábado e domingo das 11h às 19h.


