O Luxemburgo registou no ano lectivo de 2024/2025 o índice mais baixo de abandono escolar dos últimos cinco anos. Segundo o relatório “Jeunes décrocheurs et jeunes inactifs au Luxembourg”, publicado pelo Ministério da Educação Nacional, da Infância e da Juventude, 1.714 alunos abandonaram o ensino público, correspondendo a 7,4% do total. O valor coloca o Grão-Ducado abaixo da média europeia de 9,3% registada pelo Eurostat em 2024, e próximo de Portugal, que desceu para 6,6% em 2024, depois de 8,1% em 2023, sendo um dos países que já superou a meta europeia de 9% para 2030. No extremo oposto, a Roménia apresenta 16,8% e a Alemanha ultrapassa os 12%. A União Europeia fixou como objectivo reduzir esse índice para abaixo de 9% até 2030, meta que tanto o Luxemburgo como Portugal já alcançaram.
Ainda mais revelador é o índice de abandono efectivo — calculado depois de excluídos os jovens que voltaram a inscrever-se no ano lectivo seguinte. Em 2024/2025, esse valor foi de apenas 5,7% no Luxemburgo, o mais baixo desde o início da série, confirmando que uma parte substancial dos afastamentos tem carácter temporário. A trajectória dos últimos cinco anos mostra uma melhoria consistente: de 8,2% em 2020/2021, o índice geral desceu progressivamente até ao actual mínimo, com excepção da recaída registada em 2023/2024. Portugal, por sua vez, registou a maior redução de toda a UE na última década, com uma descida de 10,7 pontos percentuais entre 2014 e 2024 — uma trajectória que serve de referência no espaço europeu.
O relatório identifica com clareza os perfis mais vulneráveis no Luxemburgo: os rapazes são maioritários entre os jovens que abandonam, os alunos com dois ou mais anos de atraso escolar estão fortemente sobre-representados, e o fenómeno concentra-se sobretudo nas classes de 5.ª e 4.ª — momentos críticos do processo de orientação —, sendo também particularmente elevado em certas classes de inserção e nos percursos conducentes ao Certificado de Competências Profissionais. Esta realidade é coerente com o padrão europeu, onde os jovens com percurso migratório apresentam taxas de abandono mais do dobro das registadas entre os jovens nativos — dado especialmente relevante num país com a estrutura demográfica do Luxemburgo.
A resposta institucional é assegurada pelo Serviço Nacional de Juventude (SNJ), que em 2024/2025 contactou directamente 2.106 jovens identificados pelo ministério. Entre Julho e Outubro de 2025, 1.752 foram acompanhados por 19 agentes educativos no processo de reinscrição ou de acesso à formação profissional. Em paralelo, 599 jovens participaram em serviços voluntários, num total de 3.315 participações ao longo do ano; 89 frequentaram oficinas práticas; e 328 realizaram estágios de descoberta em empresas. Estas medidas traduzem uma estratégia de remobilização gradual e individualizada — tanto mais pertinente num contexto europeu em que, dos cerca de 3,1 milhões de jovens que abandonam o ensino na UE, o regresso à formação após o afastamento continua a ser pouco frequente.


