O reforço de Macau como base de intercâmbio e cooperação cultural — um espaço onde a cultura chinesa é predominante e onde coexistem múltiplas culturas — ganhou novo impulso com a definição das prioridades de trabalho para 2026, num processo que coloca o território no centro do diálogo entre a China e o mundo lusófono. A aposta visa simultaneamente apoiar o florescimento cultural da região e alargar a sua função como ponte entre civilizações.
A reunião anual de concertação do comité conjunto encarregado de promover esta vocação decorreu na Região Administrativa Especial. No encontro participaram o vice-ministro da Cultura e do Turismo da China, Gao Zheng, a secretária para os Assuntos Sociais e a Cultura do Governo de Macau, O Lam, o vice-director do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central em Macau, Yang Wei Qun, e o vice-director da quarta divisão do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, Guo Shu. Os trabalhos centraram-se na elaboração do plano de construção desta «base», no apoio ao desenvolvimento cultural do território e na ampliação do seu papel como plataforma de intercâmbio.
Nas conclusões do encontro, o vice-ministro Gao Zheng manifestou a intenção de continuar a apoiar a criação de um espaço museológico associado ao Museu Nacional da China em Macau, bem como o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas locais. Sublinhou ainda o propósito de dinamizar o património tradicional, de aproveitar as políticas de financiamento do Fundo Nacional das Artes e de reforçar a formação de quadros culturais. Destacou, em particular, o recurso à rede de centros culturais chineses no estrangeiro para que Macau possa servir melhor o intercâmbio cultural entre a China e os países de língua portuguesa.
Por seu lado, a secretária O Lam descreveu esta vocação como uma orientação atribuída pelo poder central e como o instrumento essencial para Macau se integrar na estratégia nacional de afirmação cultural. Recordou que, traçadas já as grandes linhas do plano quinquenal nacional e em vésperas do arranque do planeamento próprio do território, é exigida uma visão mais abrangente e uma estrutura mais sistemática, capazes de conferir a esta missão um carácter mais rico e mais marcado pelo seu tempo.
Segundo o Instituto Cultural de Macau, o vice-director do Gabinete de Ligação, Yang Wei Qun, considerou que, desde a criação formal deste mecanismo de trabalho, a construção da referida base entrou numa nova fase de desenvolvimento de qualidade, com avanços sucessivos nas actividades culturais, na indústria e no intercâmbio externo. Defendeu o aproveitamento das políticas de apoio do Governo central, o aumento da eficácia da governação cultural e a transformação de Macau numa janela relevante para o conhecimento mútuo entre as civilizações chinesa e ocidental.
A aposta nesta dupla condição — território de raiz chinesa e ponto de encontro de culturas — confirma a ambição de fazer da região um elo privilegiado entre a China continental e o exterior. Para as comunidades de língua portuguesa, o reforço desta plataforma representa a perspectiva de novos canais de cooperação cultural, num momento em que as autoridades procuram consolidar os resultados já alcançados e abrir caminho a futuras iniciativas conjuntas.


