A destruição das florestas foi identificada como uma das principais causas da crise climática que actualmente preocupa a comunidade internacional, motivo que leva o Governo de Timor-Leste a reforçar o apelo para que a população altere os seus hábitos e dedique especial atenção à protecção do ambiente, de forma a prevenir os impactos das alterações climáticas no país. O alerta partiu do Secretariado de Estado das Florestas, segundo noticiou o semanário The Dili Weekly, num momento em que o tema ganha crescente centralidade no debate nacional.
As alterações climáticas não constituem apenas um problema local, mas sim um desafio global que afecta todas as nações, incluindo Timor-Leste, sublinhou o Secretário de Estado das Florestas, Fernandino Vieira, defendendo a necessidade de um esforço conjunto entre o Governo e a comunidade para responder eficazmente à situação. «Este problema das alterações climáticas é um problema mundial, por isso o Governo e a comunidade têm de trabalhar juntos para enfrentarmos este desafio na nossa terra», afirmou, durante uma reunião realizada nas instalações do MAPPF, em Comoro, Díli.
Entre as medidas em preparação, o responsável governamental indicou que está a ser desenvolvida uma estratégia de resposta às alterações climáticas, com destaque para uma campanha de sensibilização que será implementada desde o nível nacional até aos municípios e às aldeias, com o objectivo de aumentar a consciência das populações. A iniciativa pretende garantir que cada comunidade esteja preparada e tenha capacidade para reagir quando surgirem impactos como inundações, chuvas intensas, erosão dos solos e períodos de calor extremo, abrangendo igualmente mudanças nos hábitos quotidianos que possam contribuir para reduzir a pressão sobre o ambiente.
A prevenção foi apresentada como medida central no combate a estes desafios, passando pela rejeição de práticas que degradam o meio ambiente, como as queimadas e o abate indiscriminado de árvores. «Precisamos de proteger as nossas florestas e o solo. Não se pode queimar terra nem cortar árvores ao acaso, porque estas práticas contribuem directamente para as alterações climáticas e para a degradação ambiental», advertiu Fernandino Vieira, reforçando que a alteração de comportamentos é determinante para travar a deterioração dos ecossistemas.
No terreno, a percepção do desafio é confirmada pela liderança comunitária, ainda que as mudanças de mentalidade exijam tempo e um esforço continuado. O chefe da aldeia de Bahalarauin, no posto administrativo de Viqueque, Angelo Pinto, reconheceu que, apesar das acções de sensibilização já promovidas pelo Governo, muitos habitantes continuam a recorrer às queimadas e ao corte de madeira. «Por vezes as comunidades já têm conhecimento, mas, devido a hábitos tradicionais ou a necessidades do dia a dia, continuam a queimar terra e a cortar árvores. Este é um dos desafios que temos na aldeia para mudar essa mentalidade», assinalou. O responsável local acrescentou que a liderança comunitária deve manter a cooperação com o Governo para assegurar educação e orientação à população, sobretudo quanto aos impactos a longo prazo da destruição ambiental e aos benefícios da conservação da natureza.


