O investimento angolano no exterior mantém Portugal como principal destino, embora o peso do mercado português tenha recuado no primeiro trimestre de 2026. Portugal, Maurícias, Ilha de Man, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde concentravam 3.299,5 milhões de dólares, cerca de 71% do stock contabilizado nestes destinos, contra 77% no final de 2025. Segundo o jornal Expansão, com base no relatório do Banco Nacional de Angola (BNA) sobre a Balança de Pagamentos e a Posição do Investimento Internacional, o stock global dos investimentos angolanos no estrangeiro aumentou apenas cinco milhões de dólares, para 5.342,3 milhões, uma progressão de 0,1% face a Dezembro.
Portugal continua a absorver mais de metade destes investimentos. Depois de o montante aplicado no país ter aumentado 34% em 2025, para 3.096 milhões de dólares, o primeiro trimestre deste ano trouxe uma inversão: o valor caiu 9%, para 2.820 milhões, passando a representar 52% do total, menos cinco pontos percentuais do que no encerramento do ano passado. O BNA identifica entre os destinos Portugal — incluindo a praça offshore da Madeira —, Maurícias, Ilha de Man, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. A concentração nestes mercados perdeu, contudo, terreno desde o início de 2026.
Parte das movimentações registadas em Portugal poderá estar associada à Sonangol. De acordo com o Expansão, o forte aumento observado no final de 2025 esteve relacionado com recursos gerados noutros mercados e posteriormente canalizados para investimentos da petrolífera angolana, não correspondendo necessariamente a novos lucros obtidos em território português. Não foi possível determinar se uma parcela desses recursos corresponde a dividendos provenientes da participação indirecta da Sonangol na Galp, através da Esperaza Holding, sediada nos Países Baixos. O investimento imobiliário e o crescimento da emigração angolana para Portugal são outros factores referidos. Dados do Afrobarómetro apontam para um fluxo migratório composto sobretudo por jovens e famílias da classe média insatisfeitos com as oportunidades profissionais em Angola, num contexto em que as remessas enviadas pela diáspora angolana para o país permanecem reduzidas.
A maior mudança surge, porém, fora dos destinos identificados individualmente. A categoria «Outros», cuja composição o BNA não discrimina, cresceu 24% entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 1.259 milhões para 1.560 milhões de dólares. Representa agora cerca de 29% do stock de investimento angolano no exterior, mais seis pontos percentuais, sem que seja possível identificar quais os países responsáveis pelo aumento. É precisamente esta expansão que ajuda a explicar a perda de peso relativo de Portugal e das restantes jurisdições tradicionalmente dominantes.



