O feriado da nacionalização das roças chega aos 51 anos com menos brilho do que noutros tempos, apesar do peso histórico que o 30 de Setembro continua a ter em São Tomé e Príncipe. Segundo o Téla Nón, foi nesta data, em 1975, apenas dois meses depois da independência nacional, que as autoridades nacionalizaram todas as roças do arquipélago, reunindo mais de duas centenas de propriedades em 15 grandes empresas agrícolas estatais. As roças, presentes na economia são-tomense desde o século XVI, sustentaram durante décadas a produção alimentar e, sobretudo, o cacau destinado à exportação.
O auge da produção após a nacionalização chegou em 1979. Nesse ano, o chamado Plano 79 mobilizou funcionários públicos e membros do Governo para a colheita e quebra do cacau, permitindo colocar 7489 toneladas no mercado internacional. A situação mudou profundamente a partir da década de 1990, quando o abandono progressivo das roças contribuiu para uma quebra acentuada da produtividade e as exportações de cacau caíram para cerca de 2000 toneladas. Alda Sousa Pontes, agricultora de hortaliças que participou numa feira agrícola promovida pelo Governo para assinalar a efeméride, considera que o país não conseguiu valorizar devidamente o património agrícola recebido após a nacionalização e defende maior união e trabalho para recuperar esse potencial.
Um novo capítulo abriu-se em 2026, com o reconhecimento de seis roças como Património Mundial pela UNESCO. A distinção representa também um incentivo à preservação deste legado e à procura de novas oportunidades através do turismo rural e da transformação local da produção agrícola. Alda Sousa Pontes chama ainda a atenção para a necessidade de mudar a percepção em torno do trabalho agrícola, particularmente entre as mulheres, defendendo que trabalhar a terra deve ser encarado como uma actividade digna e valorizada.
O 30 de Setembro permanece como uma das datas de maior significado histórico para São Tomé e Príncipe, logo depois do 12 de Julho, Dia da Independência. Mais de meio século depois da nacionalização, a celebração recorda uma decisão que transformou profundamente a estrutura agrícola do país e deixa também à vista o desafio de devolver às roças o peso económico e social que tiveram no passado, segundo o Téla Nón.



