A líder da oposição venezuelana e prémio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, fez um apelo urgente este sábado para o restabelecimento de condições institucionais mínimas antes da realização de qualquer processo eleitoral em Venezuela. Durante uma conferência de imprensa no auditório El Beatriz, em Madrid, a dirigente destacou a importância da criação de um Conselho Nacional Eleitoral (CNE) independente, sem ligações políticas, como condição prévia essencial para garantir eleições transparentes.
“É necessário construir estas condições […] o país está unido e clama pelo direito a escolher livremente”, afirmou Machado, insistindo na necessidade de actualizar o registo eleitoral para incluir os migrantes venezuelanos no exterior. De acordo com as informações publicadas pelo jornal “El Nacional”, a opositora recordou que sua plataforma delineou uma rota clara que prioriza este mudança estrutural para evitar fraudes, como aquelas denunciadas em eleições anteriores.
Questionada sobre a sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Machado descreveu-o como um aliado histórico na luta contra a “ditadura chavista”. “Há um único líder mundial que colocou em risco a segurança dos seus cidadãos, e esse é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, declarou. A líder opositora defendeu ainda a controversa decisão de ter concedido o prémio Nobel da Paz a Trump durante a sua gestão, sublinhando que a administração dele impulsionou a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores em janeiro de 2026, um marco que, segundo ela, “os venezuelanos sempre reconhecerão”.
Nos detalhes da sua coordenação com a Casa Branca, María Corina Machado confirmou contactos permanentes com a administração Trump, apoiando o “plano de Marco Rubio em suas três fases” para a transição venezuelana. “Confio na proposta que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, colocou, que não é linear e pode sobrepor-se em direcções diferentes… numa transição para a democracia através de eleições limpas”, disse.
Machado ainda abordou a questão do governo interino, liderado pela presidente encarregada Delcy Rodríguez, apontando que este responde mais a exigências de Washington do que a um genuíno compromisso democrático. “Delcy Rodríguez está a cumprir tudo o que Trump diz, por isso a elogia”, declarou Macho, acrescentando que as reformas anunciadas pelo gabinete chavista não visam um interesse democrático, mas sim a manutenção de uma “estrutura criminosa”.
A conferência de imprensa, que se realizou na ausência do candidato presidencial Edmundo González, hospitalizado após uma cirurgia recente, serviu como uma plataforma para mobilizar apoio internacional. De acordo com o mesmo jornal, María Corina dedicou sua “luta pela liberdade” a Espanha e à Europa, agradecendo o apoio de líderes como Alberto Núñez Feijóo e apelando a uma maior pressão sobre o processo venezuelano. O evento, transmitido ao vivo por vários media espanhóis, juntou jornalistas e exilados venezuelanos que aplaudiram com fervor suas palavras.
Na sua agenda em Madrid, a líder opositora teve uma agenda intensa e simbólica. Este sábado, encontrou-se com Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, para discutir apoio parlamentar, e recebeu das mãos do alcalde José Luis Martínez-Almeida as chaves de ouro da Villa de Madrid, num gesto de solidariedade com a causa venezuelana. Mais tarde, Machado foi agraciada com a Medala de Ouro da Comunidade de Madrid pela presidente regional Isabel Díaz Ayuso, antes de liderar uma concentração com a diáspora venezuelana na Puerta del Sol, um símbolo da oposição anticastrista e antichavista.


