A entrega de máquinas de costura transformou meses de formação numa perspectiva real de rendimento para famílias de uma comunidade costeira do norte de Moçambique. Em Namalungo, no distrito de Mogincual, província de Nampula, os moradores encaram os equipamentos como o primeiro degrau firme rumo ao autoemprego e à melhoria das condições de vida.
Os aparelhos chegaram no último fim-de-semana. A distribuição foi feita pelo Governo do Distrito, através do administrador João Bento Zampula, no âmbito do Projecto Wilipihera, promovido pela organização Livaningo e noticiado pelo jornal Ikweli.
Não se tratou de um gesto isolado. A entrega surge no seguimento de uma formação de três meses em corte e costura, o que permite aos beneficiários passar da teoria à prática e converter o que aprenderam numa fonte estável de sustento familiar.
Para muitos, é a primeira máquina que alguma vez tiveram nas mãos. Uma das beneficiárias não escondeu a emoção. «Estou muito feliz, porque desde que aprendi a coser nunca tive uma máquina. Com esta máquina vou organizar a minha vida e será um emprego garantido para mim», afirmou.
Zampula sublinhou o alcance da medida além do agregado familiar. Criar actividades alternativas de rendimento nas comunidades costeiras, defendeu, ajuda a reduzir a dependência exclusiva dos recursos marinhos e contribui para a sua conservação.
O raciocínio liga a economia doméstica a um objectivo mais vasto. A iniciativa inscreve-se no esforço de promoção do empreendedorismo comunitário e na visão do governo moçambicano, que fixou a meta de proteger 30% dos espaços marinhos até 2030.


