O Luxemburgo não regista, até ao momento, qualquer vítima ou cidadão desaparecido nas trágicas inundações que estão a devastar a região dos Himalaias, na fronteira entre o Nepal e o Tibete. Enquanto o Grão-Ducado respira aliviado por não ter nenhum dos seus cidadãos entre as listas de emergência, o cenário é de angústia profunda para Portugal, que chora o desaparecimento de dois cidadãos nacionais.
A catástrofe, desencadeada pelo colapso massivo de um glaciar, já provocou centenas de mortos e deixou mais de 1.300 pessoas incontactáveis. Entre a vasta lista de mais de duas dezenas de nacionalidades afetadas, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal confirmou que uma mulher e um homem de nacionalidade portuguesa continuam desaparecidos na sequência das violentas torrentes de água, lama e detritos.
Para os luxemburgueses e outras nações europeias que escaparam ilesas a esta fatalidade, as notícias que chegam da Ásia são um eco distante de um desastre natural extremo. Contudo, para a comunidade lusófona, a crise é real e imediata. Os dois portugueses encontravam-se na região de Rasuwa, no norte do Nepal, uma rota alpina crucial e muito procurada por entusiastas do trekking e viajantes que tentam fazer a travessia terrestre para o Tibete.
A força das águas destruiu estradas fundamentais, pontes e, acima de tudo, as redes de telecomunicações, deixando vales inteiros completamente isolados do resto do mundo. É nesta quebra total de contacto que reside a esperança das autoridades: a possibilidade de os dois portugueses estarem apenas retidos numa zona sem rede móvel ou internet.
Ao contrário do Luxemburgo, que se mantém como observador solidário, Portugal activou os seus canais de emergência. A Embaixada de Portugal em Nova Deli, que superviona os assuntos consulares no Nepal, está em coordenação directa com as equipas de resgate locais e com o Nepal Tourism Board para tentar localizar o paradeiro dos dois cidadãos.
As operações de busca e salvamento estão a ser efetuadas com recurso a helicópteros militares, mas as condições meteorológicas e a geografia implacável da cordilheira dos Himalaias tornam os trabalhos extremamente lentos. Enquanto o balanço de vítimas continua a subir, famílias em Portugal aguardam em agonia por um sinal de vida que teima em chegar.


