A resposta coordenada à pressão migratória em Ceuta permitiu reconduzir a Marrocos, em menos de 48 horas, a quase totalidade das pessoas envolvidas, num episódio que voltou a colocar o espaço Schengen no centro do debate europeu. A situação no enclave espanhol foi o tema de uma reunião informal do Conselho «Justiça e Assuntos Internos» (JAI), realizada por videoconferência a 4 de agosto, na qual participou o ministro luxemburguês dos Assuntos Internos, Léon Gloden.
O balanço traçado pelo ministro espanhol da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, deu conta da dimensão da crise dos últimos dias: 75 mortos e mais de 70.000 entradas irregulares, segundo as autoridades espanholas. Ainda assim, uma gestão operacional rápida e articulada permitiu devolver quase todos os visados ao território marroquino no espaço de dois dias. Grande-Marlaska agradeceu o apoio dos Estados-membros — entre eles o Luxemburgo — e as manifestações de solidariedade dirigidas a Espanha, bem como a cooperação das autoridades de Marrocos, determinante para viabilizar os regressos.
Solidariedade foi a palavra dominante. Os Estados-membros defenderam que importa apurar todas as circunstâncias que conduziram àquela situação e retirar dela as lições necessárias. No plano externo, houve consenso quanto a um ponto: as parcerias e a cooperação com países terceiros são essenciais na gestão dos fluxos migratórios.
Gloden agradeceu a Espanha a forma como conduziu a crise e reafirmou o apoio do Luxemburgo. Para o ministro, as autoridades espanholas assumiram, em todos os momentos, as suas responsabilidades perante a União Europeia e o espaço Schengen, com uma resposta que classificou de rápida e eficaz. Lamentou que se tenha procurado instrumentalizar o debate sobre Schengen sem assentar em factos objectivos — nenhum migrante chegou ao território continental espanhol e não se registaram movimentos secundários. «Schengen e os seus valores não podem ser tomados como reféns», sublinhou.
O reforço dos controlos nas fronteiras externas foi outro dos eixos apontados como decisivos no combate à imigração irregular. Nesse sentido, o ministro recordou que as chegadas irregulares à Europa recuaram 55% nos últimos dois anos e já 37% em 2026. Ficou ainda o alerta para a necessidade de intensificar, à escala europeia, o combate à desinformação e às redes de tráfico de migrantes.


