A fraca aplicação da legislação sobre gestão de resíduos, aliada à falta de disciplina cívica, mantém o lixo espalhado por espaços públicos e mercados de Díli. As autoridades locais reconhecem o problema. E admitem que não o resolvem sozinhas. Segundo noticiou o The Dili Weekly, o chefe do suco de Bebonuk, na capital de Timor-Leste, Alfredo da Costa, considera que a lei ainda não é forte o suficiente para levar a população a respeitar a limpeza dos espaços comuns, defendendo mais controlo e sanções claras, como multas, para quem infringe as regras.
«Se não houver medidas fortes, a comunidade continuará a fazer o que lhe apetece. Temos de deter e punir quem deita lixo para todo o lado, para que passem a ter receio», afirmou. O responsável fez questão de sublinhar que as autoridades continuam a trabalhar com os moradores nas limpezas dentro do suco, mas que a resolução do problema não pode ficar à espera apenas do Estado.
O apelo à colaboração foi reforçado pelo presidente da Autoridade Municipal de Díli, Francisco dos Santos, que aponta a persistência dos maus hábitos apesar dos avisos repetidos. «Já avisámos várias vezes para não deitar lixo durante o dia, mas parte da comunidade continua a fazê-lo. À noite recolhemos tudo, mas no dia seguinte o local está outra vez cheio», relatou. Para travar a acumulação, o município alterou o horário de recolha, que decorre agora das 18h00 às 6h00, período que os cidadãos são chamados a cumprir.
Nem tudo, porém, são sinais de resistência. Tachia Fernandes, moradora de Bebonuk, notou que, ultimamente, muitas pessoas começaram a sair de casa para juntar lixo, limpar valas e arrumar os arredores, e pediu a participação activa de toda a gente. «A limpeza não é só responsabilidade do governo, mas uma responsabilidade partilhada entre as autoridades e a comunidade. Se nós próprios não cuidarmos do ambiente, ninguém o fará por nós», declarou. Entre autoridades e população fica a mesma esperança: com cooperação e uma lei mais firme, reduzir o lixo nas zonas públicas e melhorar as condições ambientais da cidade.


