O Grão-Ducado assinalou hoje, ao final do dia, em véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, um marco histórico para o jornalismo do país: o centenário da Associação Luxemburguesa dos Jornalistas Profissionais, a ALJP. A recepção decorreu no ChouChou, na cidade do Luxemburgo, e reuniu cerca de uma centena de convidados, entre jornalistas, personalidades políticas e representantes de organismos internacionais. O primeiro-ministro Luc Frieden marcou presença, conferindo à cerimónia um peso institucional que reflecte a importância reconhecida da imprensa livre na vida democrática do país.

Entre os discursos que pontuaram a celebração, destacaram-se as palavras do presidente da ALJP, Misch Pautsch, e a intervenção de Anthony Bellanger, secretário-geral da Federação Internacional de Jornalistas, cuja presença virtual sublinhou a dimensão internacional do evento. O Letzebuerg Hoje esteve representado na sala, sendo, muito possivelmente, o único jornal de língua portuguesa do Luxemburgo presente na cerimónia — um reconhecimento simbólico da crescente diversidade do panorama mediático luxemburguês e da relevância da comunidade lusófona no país.
A data não é arbitrária. Amanhã, 3 de Maio, celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituído pela Unesco, e a Comissão Luxemburguesa para a Unesco aproveitou a ocasião para divulgar um comunicado onde alerta para a deterioração global da liberdade de expressão: desde 2012, o índice mundial caiu 10%; a influência de governos e grupos económicos sobre os meios de comunicação aumentou 48% entre Janeiro de 2022 e Novembro de 2025; e a autocensura entre jornalistas cresceu 63% no mesmo período. Em três anos, 310 jornalistas perderam a vida no exercício da profissão.
Num mundo onde a desinformação circula livremente nas redes sociais e onde imagens falsas geradas por inteligência artificial proliferam sem controlo, o jornalismo independente e credível torna-se não apenas necessário, mas urgente. O centenário da ALJP é, neste contexto, mais do que uma celebração: é um lembrete de que uma imprensa livre é um pilar insubstituível da democracia — e que vozes como a do Letzebuerg Hoje, que chega às famílias lusófonas do Luxemburgo em português, fazem parte desse tecido essencial.


