O sol de maio sorriu hoje sobre o Grund. A partir do meio-dia, a esplanada de Neimënster começou a encher-se a um ritmo que rapidamente se tornou difícil de ignorar: famílias com crianças ao colo, casais, grupos de amigos, trabalhadores de todas as origens e de todas as línguas. Quando o nosso jornalista chegou ao local, a meio da manhã, os acessos ao Centro Cultural de Rencontre Abbaye de Neumünster estavam já tomados por milhares de pessoas que haviam respondido ao apelo da OGBL para assinalar, em conjunto, os vinte anos da Festa do Trabalho e das Culturas.
Duas décadas de tradição pesam de forma positiva num dia como este. O recinto, animado desde as dez horas da manhã, tinha já vivido o momento político central da jornada — o discurso do 1.º de Maio da presidente da OGBL, Nora Back, cujas palavras sobre solidariedade, respeito e coesão social ecoaram no parvis perante uma plateia densa e atenta. Para lá da dimensão sindical, o que mais impressionava no terreno era precisamente a diversidade do público: portugueses, cabo-verdianos, luxemburgueses de longa data, recém-chegados do Brasil, italianos, montenegrinos, trabalhadores fronteiriços — a comunidade lusófona bem representada entre a multidão que a OGBL tanto tem procurado acolher nesta festa que se quis, desde a primeira hora, de todos e para todos.
No parvis, Chris Reitz terminava a sua segunda actuação do dia com aquela mistura de violino electrónico e electrónica ambiente que parece suspender o tempo. Mais tarde seria a vez de The4 Coverband animar o espaço com décadas de rock e pop em várias línguas, antes de Zero Point Five — finalistas do Festival da Canção luxemburguês em 2025 — tomarem o palco com os seus banjos e violinos, e de Dream Catcher encerrarem a jornada musical com uma energia que vale mais de vinte anos de estradas percorridas pelos quatro cantos do mundo. No claustro, os ateliers funcionavam em pleno: Nelson Neves, cabo-verdiano, guiava quem quisesse experimentar a pintura; Kingsley Ogwara, do Níger, ensinava os segredos da olaria a miúdos e graúdos que aguardavam pacientemente a sua vez. Nos corredores barrocos, a exposição sobre os quase mil anos de história de Neimënster oferecia um contraponto silencioso à euforia lá fora.
A aldeia gastronómica era, como todos os anos, um mundo por si. Pratos de quatro continentes servidos sob as tendas brancas e vermelhas da OGBL, com filas que avançavam sem pressa, ao ritmo de quem veio para ficar o dia inteiro. Ao lado, os stands da ASTI, da ASTM, da Radio Latina e da FGIL recebiam quem queria saber mais sobre os seus direitos ou simplesmente folhear uma publicação sindical. A entrada era gratuita, o autocarro de ligação ao P&R Bouillon circulava de vinte em vinte minutos, e nada disto era pequeno detalhe: o 1.º de Maio da OGBL é, há duas décadas, uma festa que não deixa ninguém de fora.


