A transição dos sistemas de inteligência artificial preditivos para agentes autónomos, capazes de planear e executar acções, está a redefinir o sector educativo e a instaurar um novo paradigma pedagógico em que as máquinas deixam de ser meras ferramentas de apoio para assumirem funções tutoriais cada vez mais sofisticadas no Brasil. Esta evolução, que se estende muito para além dos assistentes mais conhecidos como o Claude, o Gemini, o GPT ou o Copilot, traz consigo oportunidades inéditas de personalização da aprendizagem, mas também riscos significativos associados à proliferação de dados e à falta de literacia crítica entre os utilizadores.
A primeira fase desta evolução, a inteligência artificial preditiva, assenta na análise de dados históricos para identificar padrões e antecipar comportamentos. Investigadores da Superintendência de Tecnologia da Informação da Universidade de São Paulo desenvolveram, com base em doze anos de registos académicos, um sistema que prevê com 90 por cento de precisão quais os alunos em risco de não concluir os respectivos cursos, permitindo a adopção atempada de medidas como programas de tutoria ou revisão curricular. A fase seguinte, a IA generativa, vai mais longe ao produzir conteúdos originais e ao planear acções, oferecendo um suporte capaz de adaptar tutoriais e materiais às necessidades específicas de cada aluno, com a promessa de tutores virtuais personalizados que monitorizam o progresso individual sem a constante intervenção do professor.
O crescente grau de autonomia destes sistemas suscita, contudo, dilemas éticos relevantes, desde a atribuição de responsabilidade por decisões tomadas por máquinas até ao risco de discriminação algorítmica. A recente legislação da União Europeia, que classifica a educação como um sector de alto risco, estabelece directrizes rigorosas para a supervisão e auditoria das decisões algorítmicas, exigindo um controlo técnico que impeça que opções pedagógicas sejam tomadas de forma aleatória ou opaca. Esta moldura regulatória surge como um passo fundamental para garantir transparência, responsabilização e a presença efectiva da supervisão humana nos processos de avaliação e orientação dos estudantes.
O caminho a percorrer exige a implementação de enquadramentos e orientações que promovam a autonomia da aprendizagem sem comprometer as capacidades críticas dos alunos, salvaguardando que a tecnologia funcione como catalisador e não como substituto da interacção humana. Mais do que automatizar processos, a inteligência artificial deve servir para capacitar alunos e professores, reforçar a independência intelectual e estimular o pensamento crítico no ambiente digital. A vigilância sobre a sua aplicação em contexto educativo torna-se, por isso, indispensável para proteger o direito à informação e garantir o desenvolvimento das competências essenciais que a sociedade contemporânea exige.


