A descoberta de mais de 500 restos mortais numa vala comum localizada no Cemitério do 14, em Luanda, capital angolana, constitui um avanço decisivo nas investigações sobre os trágicos acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo ministro angolano da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, em entrevista à Televisão Pública de Angola, sendo o resultado de cinco anos de buscas intensivas com recurso a tecnologia moderna.
A revelação foi recebida como uma “vitória” pelo presidente da Associação 27 de Maio, Silva Mateus, que elogiou a “boa vontade” demonstrada pelo Presidente angolano, João Lourenço. Segundo Silva Mateus, a criação da comissão responsável pela investigação não resultou apenas da iniciativa presidencial, mas também da pressão exercida pelos protestos anuais realizados no mês de Maio, que acabaram por obrigar o Governo a actuar. A comissão encontra-se neste momento a trabalhar activamente no esclarecimento dos diversos conflitos ocorridos em Angola.
A existência da vala comum era do conhecimento público desde 1977, embora a sua localização exacta permanecesse por determinar até agora. Em 1992, com a fundação do Partido Renovador Democrático, foram reunidas informações que permitiram a colocação de um memorial no local, onde passaram a realizar-se homenagens anuais às vítimas.
Os restos mortais agora encontrados serão submetidos a análise laboratorial com o objectivo de confirmar a identidade das vítimas. Uma lista será disponibilizada na Unidade Central de Criminalística, em Luanda, bem como nas restantes províncias, permitindo aos familiares procederem à recolha de amostras de ADN para a realização de testes de compatibilidade.


