A ausência de uma ponte sobre o rio Jildapil transforma cada época de chuvas num obstáculo concreto à escolaridade das crianças de duas localidades do interior de Timor-Leste, que ficam impedidas de chegar às aulas sempre que o caudal sobe. O problema atinge os alunos da Escola Básica Central de Jildapil, no suco de Lebos, posto administrativo de Lolotoe, município de Bobonaro. Quando a chuva engrossa a corrente, os estudantes da outra margem perdem dias inteiros de matéria. Não há travessia segura.
Segundo o semanário timorense The Dili Weekly, uma das alunas afectadas, residente na aldeia de Mabelis, descreve semanas inteiras sem poder assistir às aulas. «Quando o rio sobe, ficamos uma semana inteira sem ir à escola. Perdemos muita matéria porque não conseguimos aprender com os nossos colegas», relatou, num apelo às autoridades locais e aos ministérios das Obras Públicas e da Educação para que garantam a construção de uma ponte.
A directora da escola, Inácia Maria Imaculada, reconhece que a situação se repete a cada estação chuvosa e isola duas aldeias de cada vez. Para compensar, a escola alargou as horas de ensino e passou a organizar aulas ao sábado. Desde 2024 que o caso foi comunicado às autoridades municipais e nacionais, com observações no terreno, mas nada avançou. «A solução permanente é a construção de uma ponte, para que os alunos possam aceder à escola em segurança», sublinhou, esperando ver o projecto priorizado pelo Governo em 2027.
O chefe do suco de Lebos, Marcos Mali, confirma que o rio prejudica de forma directa a educação das crianças de Mabelis e Mapelai. «Apresentámos propostas ao Governo, mas ainda não obtivemos resposta. Pedimos ao Ministério das Obras Públicas que preste atenção a este problema e construa uma ponte», afirmou. As autoridades locais aguardam uma resposta urgente, e, enquanto a ponte não existir, cada temporada de chuvas volta a fechar o caminho até à sala de aula.
O Letzebuerg Hoje deixa aqui um apelo às associações sem fins lucrativos (ASBL) da comunidade lusófona no Luxemburgo. Muitas destas estruturas mantêm laços de solidariedade com países de língua portuguesa, e uma pequena mobilização de recursos ou de contactos pode fazer a diferença junto de quem, no terreno, procura financiar a construção da ponte. Quem desejar somar esforços ou obter mais informação pode escrever para editor@letzebuerghoje.lu que nós forneceremos os contactos directos no terreno.


