Dois dias de música de gaita-de-foles, malabarismo e ofícios esquecidos vão devolver o centro de Larochette à Idade Média. A vila acolhe, a 15 e 16 de agosto, um mercado medieval de entrada livre, montado na Place Bleech e nas praças vizinhas. Não se paga bilhete — e há uma razão para isso.
A gratuitidade deve-se ao colégio dos escabinos e à comuna de Larochette, que quiseram um mercado histórico no coração da localidade. A organização está a cargo da Lorraine Médiévale, agência especializada neste género de festas. Não é bem uma estreia: segundo os próprios organizadores, a equipa já tinha marcado presença no castelo da vila, com acampamentos, casa de banhos e algumas bancas, durante a antiga festa do castelo. Esses eventos deixaram de se realizar no local. Agora, a aposta muda-se para a praça central.
O programa musical promete encher o recinto. «Capud Draconis» traz gaitas-de-foles e tambor, num som que dificilmente passará despercebido de uma ponta à outra da praça. O «Trio cum laute» — na verdade um duo com um terceiro elemento peculiar — canta em alemão, francês e latim, com refrões feitos para acompanhar. E há um nome de casa: o «Duo Joyosa», há anos conhecido no Luxemburgo, percorre com vários instrumentos as canções recolhidas nas suas viagens, mostrando a diversidade da arte musical medieval.
Entre as bancas circula «Hubertus, o Andarilho», malabarista e saltimbanco que atira objectos ao ar sem os deixar cair e prega partidas ao público, sobretudo aos mais pequenos. Cabe a «Carolan, o Arauto» anunciar os artistas, proclamar as regras do mercado e garantir que tudo decorre em ordem. Ao sábado à noite, um espectáculo de fogo fecha a jornada.
E as crianças? Terão que fazer. Um carrossel e uma roda gigante movidos à mão, caça ao dragão, pesca de barcos-dragão, roda da sorte e até apanha de ratazanas — para que Larochette não conheça nenhuma praga. Na banca da Fabis Lederey, cada visitante pode montar a sua própria bolsa de couro e levá-la como recordação. Para os rostos, há a fada da pintura.
Ao longo dos dois dias, os artesãos mostram o seu ofício a quem passa. Uma entalhadora de colheres, um cinteiro, um seleiro, uma costureira de trajes e um oleiro trabalham à vista de todos, respondem a perguntas e, com sorte, fecham negócio. Mercadores vindos de longe expõem mercadorias pouco comuns, trocadas por taleres, euros ou falsos taleres de feira. Quanto à mesa, os organizadores garantem que ninguém volta a casa com fome nem com sede, e prometem sabores bem afastados das batatas fritas e da cola.


