A família de Domingos Simões Pereira, figura de proa da oposição guineense, responsabilizou as «autoridades de facto» pela segurança, saúde e integridade do político, que se encontra em prisão preventiva em Bissau. A posição foi transmitida à comunicação social através de um comunicado assinado na capital guineense.
No documento, os familiares do líder do histórico Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e presidente eleito do parlamento da Guiné-Bissau, exigem que lhe sejam garantidas condições de detenção dignas, protecção efectiva e acesso irrestrito aos seus advogados, à equipa médica e aos familiares, em conformidade com as normas humanitárias.
A família caracteriza o processo que resultou na detenção, decretada por ordem do Tribunal Militar, como «arbitrário», sustentando que este se afasta «alarmantemente da legalidade e das garantias fundamentais» do Estado de Direito. A nota sublinha que, por se tratar de um cidadão civil, a detenção de Simões Pereira por instâncias militares configura «uma grave afronta» aos direitos fundamentais e estabelece um «perigoso precedente» no país.
Os familiares expressam ainda o seu agradecimento pela onda de solidariedade manifestada por cidadãos, amigos e figuras nacionais e internacionais, apelando aos guineenses, às organizações da sociedade civil e aos defensores dos direitos humanos que «não se resignem nem permaneçam em silêncio» perante aquilo que consideram uma injustiça. «Como família, não aceitaremos a normalização da injustiça nem descansaremos enquanto Domingos Simões Pereira não regressar ao seio do seu lar, em plena liberdade», conclui o comunicado.
Antigo primeiro-ministro e rosto da oposição guineense, Domingos Simões Pereira é investigado pelo Tribunal Militar por alegada participação numa tentativa de golpe de Estado ocorrida cerca de um mês antes das eleições gerais que estavam previstas para Novembro de 2025. A defesa do político tem contestado a competência da jurisdição militar para julgar um civil, invocando a sua condição de deputado e presidente da Assembleia Nacional Popular, e denuncia o processo como perseguição política. Detido na sequência do golpe militar de 26 de Novembro de 2025, permaneceu mais de dois meses na Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública, em Bissau, antes de regressar a casa sob vigilância militar. Foi para essa mesma unidade policial que voltou na passada sexta-feira, por decisão do juiz Mamadú Embaló, numa audiência boicotada pela sua equipa de advogados.


