Levar água potável a uma escola no Quénia, garantir água quente num internato nas montanhas de Marrocos ou combater a poluição por plásticos nos Camarões são projectos aparentemente distantes entre si, mas que partilham um mesmo princípio: nunca chegar a uma comunidade, entregar uma solução e ir embora. É esta a filosofia dos Engenheiros Sem Fronteiras Luxemburgo, associação que, tendo nascido pela mão de engenheiros, procura agora abrir-se a pessoas de todas as áreas para multiplicar o seu impacto no terreno.
O trabalho da associação assenta numa engenharia sustentável pensada em conjunto com as populações locais. Cada projecto começa pela identificação das necessidades no terreno, com o envio de voluntários que avaliam a situação, dialogam com os habitantes e procuram os técnicos e os materiais disponíveis na região. A comunidade é chamada a participar também financeiramente — investindo pelo menos 5% do orçamento —, um requisito que, segundo a associação, garante que o sistema continuará a ser mantido no futuro. São ainda formados técnicos locais para assegurar a manutenção diária e, passado um ano, cada solução é reavaliada. «Para nós, é importante entregar uma solução em conjunto com a comunidade», resume Kristina Teppo, presidente dos Engenheiros Sem Fronteiras Luxemburgo e eleita para a direcção internacional da organização.
Os exemplos ajudam a perceber o alcance desta abordagem. No Quénia, a equipa desenvolveu, com a escola de raparigas St. Joseph, um sistema de captação de água que passou a abastecer as necessidades diárias de um internato onde o acesso à água se agravava ano após ano, devolvendo às alunas tempo precioso de estudo. Em Marrocos, nas montanhas do Atlas, um internato passou a dispor de aquecimento solar de água, permitindo que jovens que antes enfrentavam cerca de quatro horas de caminhada diária possam agora permanecer na escola e estudar em condições dignas. Em ambos os casos, a promoção da educação e da igualdade de oportunidades para as raparigas está no centro da intervenção.
O maior desafio actual situa-se nos Camarões, com um projecto de economia circular ao serviço de uma comunidade de 300.000 pessoas. O objectivo é responder ao grave problema dos resíduos, frequentemente depositados em lixeiras a céu aberto e depois queimados, poluindo o ar, a água e os solos. Aqui, a solução técnica é indissociável da educação ambiental: através de formações e de materiais informativos, a associação procura demonstrar que a reciclagem traz benefícios económicos, e não apenas ecológicos. «Se virem que podem reciclar o plástico e vendê-lo, adoptarão mais facilmente essa solução do que apenas por questões ambientais», explica Kristina Teppo, sublinhando que a aceitação de um sistema fotovoltaico é mais imediata do que a de um projecto de gestão de resíduos, cujos efeitos só se tornam evidentes a médio prazo.
A força da associação reside na rede internacional de que faz parte, com mais de 30.000 voluntários espalhados pelo mundo — e o carácter profundamente internacional do Luxemburgo é, para a organização, um trunfo. Além dos projectos no estrangeiro, a associação desenvolve iniciativas educativas no Grão-Ducado, como o projecto SmoothieBike, que transforma uma bicicleta usada num liquidificador movido a pedal para ensinar economia circular às crianças, ou a participação em eventos como a Young Women Conference, dedicada a incentivar as jovens a interessarem-se pela ciência e pela engenharia. Entre as ambições para os próximos anos conta-se a obtenção do estatuto de ONG, que reforçaria a sustentabilidade financeira e o intercâmbio de conhecimento. Sobretudo, a associação quer reforçar a equipa em áreas como a comunicação, a organização de eventos, a gestão de projectos e a angariação de fundos. «Os Engenheiros Sem Fronteiras Luxemburgo não são apenas engenheiros», faz questão de recordar Kristina Teppo. Os interessados podem contactar a organização — em inglês, Engineers Without Borders Luxembourg — através do sítio oficial e das redes sociais, onde está presente no LinkedIn, no Facebook e, mais recentemente, no Instagram.


