A viragem para alternativas ao automóvel individual acelerou no Grão-Ducado, e os números confirmam-no. Entre 2017 e 2025, as deslocações em transportes públicos subiram 22% e as feitas de bicicleta dispararam 81%, ao passo que os trajectos de carro com um único ocupante avançaram apenas 7% — num contexto em que o total de deslocações cresceu 14%. É a fotografia que emerge do Luxmobil 2025, o grande inquérito nacional sobre mobilidade cujos primeiros resultados foram apresentados pela ministra da Mobilidade e Obras Públicas, Yuriko Backes. Realizado junto de 9.000 residentes e trabalhadores fronteiriços, sob coordenação científica do Liser e do Cerema e com recolha de dados assegurada pela Ilres, o estudo mostra que a quota do carro individual — descontadas as viagens a pé — recuou de 55,7% para 52,5%, enquanto os transportes públicos passaram de 18,6% para 20%, o equivalente a cerca de 72.000 viagens adicionais por dia.
Oito anos separam esta edição da primeira, e o país mudou. O Luxemburgo conta hoje com perto de 90.000 residentes e cerca de 50.000 trabalhadores fronteiriços a mais, ao mesmo tempo que a oferta se transformou com a entrada em serviço do eléctrico, a abertura da estação do Howald, o crescimento do teletrabalho e a reorganização das redes rodoviárias de transporte colectivo. Os hábitos reflectem essa diversidade. Num dia útil, residentes e fronteiriços geram três grandes picos de deslocação, sendo as viagens casa-trabalho as mais frequentes — ainda que representem apenas 17,2% do total diário dos residentes. Nos percursos curtos domina a marcha a pé; nas distâncias maiores, o automóvel mantém peso, embora a combinação de vários modos numa mesma viagem esteja a ganhar espaço.
Nem toda a gente sai de casa: 12% dos residentes não se deslocam num dia útil. Quem sai gasta, em média, 1 hora e 44 minutos em deslocações, valor que sobe para perto de 2 horas e 20 minutos entre os fronteiriços residentes na Alemanha. Apesar do esforço, a satisfação mantém-se alta entre os residentes — 77% dizem-se satisfeitos ou muito satisfeitos com os trajectos casa-trabalho e 87% com as restantes deslocações do dia. Do lado de quem atravessa a fronteira, o contentamento é menor: 56% entre os alemães, 55% entre os belgas e 43% entre os franceses. No cômputo global, a marcha a pé representa agora 23% de todas as deslocações no Grão-Ducado.
O Luxmobil 2025 servirá de alicerce ao futuro Plano Nacional de Mobilidade 2040, cuja apresentação está prevista para 2027, tal como a edição de 2017 sustentou o plano com horizonte em 2035. O Governo do Luxemburgo pondera ainda transformar o dispositivo num modelo de observação contínua, com inquéritos anuais a amostras mais reduzidas, capazes de acompanhar de perto as mudanças demográficas e económicas. Entretanto, arranca a 21 de setembro um novo levantamento dedicado aos domingos: até ao final de 2026, a Ilres contactará por telefone uma amostra representativa de agregados, com resposta possível em luxemburguês, francês, alemão ou inglês, para aferir se a oferta de transportes públicos responde às necessidades da população ao domingo.


