Ser soberano em inteligência artificial não obriga um país a fabricar todos os microprocessadores nem a construir os maiores modelos do mundo. Exige, isso sim, capacidade de decidir como a tecnologia é utilizada, onde ficam alojados os dados e as infra-estruturas críticas e de que forma se continua a operar perante viragens tecnológicas, comerciais ou geopolíticas. É esta a tese de uma estratégia baptizada de «Soberania Inteligente», que o brasileiro Robert Janssen, director executivo da OBr.global e presidente da Assespro-RJ, leva ao WITSA Global AI Summit 2026. O encontro termina hohe em Taiwan, e junta dirigentes, especialistas e representantes da indústria de vários países e serve de palco ao lançamento do WITSA Global AI Index.
De acordo com o Absolute Rio, a soberania não se mede pelo grau de fechamento, mas pela capacidade real de escolher, adaptar e substituir tecnologias sem interromper operações estratégicas. No caso brasileiro, a estratégia identifica quatro activos capazes de colocar o país em destaque no mapa global da IA — energia, dados, escala e competências sectoriais. «O Brasil não precisa de reproduzir o modelo tecnológico de outras potências. Temos vantagens próprias que nos podem colocar em posição de protagonismo em áreas-chave», sublinha Janssen.
O plano assenta em três frentes. A primeira passa por controlar aquilo que é crítico — dados estratégicos, infra-estruturas, identidade digital e cibersegurança. A segunda aponta ao desenvolvimento onde o país se pode diferenciar, com relevo para a inteligência artificial em língua portuguesa, modelos especializados e empresas nacionais. A terceira garante acesso diversificado à fronteira tecnológica, dos microprocessadores à capacidade de computação. Há um alerta que atravessa a proposta: a dependência de um único fornecedor estrangeiro pode tornar-se um ponto de fragilidade nacional.
Ao Estado cabe um papel alargado. Mais do que regular, os governos podem estimular um mercado interno sofisticado para soluções soberanas, reforçar empresas locais, atrair capital e reter talento e propriedade intelectual. A síntese que o brasileiro levou a Taipé é directa: controlar o crítico, desenvolver onde há diferenciação e aceder à fronteira tecnológica através de parcerias diversificadas. Dependência transformada em capacidade de negociação — e em vantagem competitiva.


