A ausência de uma maioria absoluta nas eleições gerais de 27 de Setembro deixa São Tomé e Príncipe perante o desafio de formar um novo Governo, depois de uma campanha marcada pela tranquilidade e pelo respeito entre adversários políticos. Segundo o Téla Nón, o processo eleitoral decorreu num ambiente considerado civilizado, com os candidatos concentrados na apresentação dos respectivos programas e sem os níveis de agressividade e confronto pessoal observados noutros momentos da vida política.
Os resultados deixaram Américo Ramos politicamente reforçado, com o seu partido a conquistar 23 mandatos, mas foi o MLSTP, presidido por Américo Barros, que alcançou a maior representação parlamentar, elegendo 24 deputados após mais de duas décadas sem conseguir uma vitória desta dimensão. Carlos Vila Nova, Presidente da República, é igualmente apontado entre as figuras que contribuíram para o clima de serenidade. Numa análise publicada pelo Téla Nón, o economista Não Acidental considera, porém, que o principal vencedor foi o próprio povo são-tomense, pela maturidade demonstrada ao longo do processo eleitoral.
Sem uma força política capaz de governar sozinha, as negociações para o próximo executivo ganham agora protagonismo. A análise defende uma solução assente na colaboração entre as forças políticas e na escolha de governantes competentes e íntegros, afastando do futuro Governo pessoas associadas a comportamentos criminosos. O entendimento e o respeito demonstrados durante a campanha terão, assim, um novo teste no momento de construir uma solução governativa capaz de representar a pluralidade saída das urnas.
A Justiça e a Educação surgem entre as áreas consideradas prioritárias para a próxima legislatura. Segundo o Téla Nón, Não Acidental defende reformas profundas no sistema judicial, cuja ineficácia considera prejudicial à confiança nas instituições e ao desenvolvimento sustentável, enquanto para a Educação reclama uma liderança proactiva e inovadora. Depois de uma campanha pacífica, a atenção desloca-se agora para a qualidade das escolhas políticas e para a capacidade do próximo Governo de melhorar as condições de vida da população.



