O ritmo de crescimento da economia de Hong Kong atingiu, no primeiro trimestre de 2026, o valor mais elevado em quase cinco anos, com um aumento real do produto interno bruto de 5,9 por cento em termos homólogos, segundo dados preliminares que apontam para uma recuperação a alargar-se para lá do simples consumo. A leitura sublinha uma viragem face ao final de 2025 e reforça a ideia de que a retoma da cidade ganhou uma base mais ampla.
Divulgados numa terça-feira pelo Departamento de Censos e Estatísticas, os números representam um salto claro relativamente ao crescimento revisto de 4 por cento registado no último trimestre de 2025. Em termos ajustados sazonalmente, o produto interno bruto real cresceu 2,9 por cento face ao trimestre anterior, o melhor desempenho trimestral desde 2021, num ímpeto que o secretário das Finanças, Paul Chan, já havia antecipado nas suas recentes publicações. De acordo com o Macao News, um porta-voz do Governo descreveu o quadro geral como uma expansão «robusta», apontando para a recuperação vigorosa do comércio externo, uma procura interna resiliente e um sólido crescimento na entrada de visitantes.
As exportações afirmaram-se como o principal motor da economia. As exportações de mercadorias dispararam cerca de 30 por cento em valor nos primeiros dois meses do ano, sustentadas pela renovada procura global de produtos electrónicos e pela reconfiguração das cadeias de abastecimento regionais, mantendo-se fortes em março. Os comentários oficiais destacam o dinamismo das encomendas de electrónica ligada a aplicações de inteligência artificial, o que reforça o papel de Hong Kong como centro logístico e financeiro do comércio tecnológico, mais do que como base de produção. As importações também subiram de forma acentuada, à medida que as reexportações e o investimento local aceleraram, reflectindo a posição da cidade enquanto entreposto da Área da Grande Baía.
A procura interna constituiu um segundo pilar determinante. O consumo privado terá crescido cerca de 5 por cento em termos homólogos no trimestre, acima dos 2,5 por cento do final de 2025, beneficiando de um calendário preenchido com «megaeventos» apoiados pelo Governo e do regresso constante do entretenimento ao vivo e das conferências. A entrada de visitantes ultrapassou os 14,3 milhões nos primeiros três meses e as autoridades esperam agora que o número total de turistas em 2026 supere a previsão anterior de 53,8 milhões, impulsionando a despesa no comércio a retalho, na restauração, na hotelaria e nos transportes.
O Governo adverte, ainda assim, que persistem riscos associados às tensões geopolíticas, à subida dos preços do petróleo e a recuperações desiguais em mercados exportadores essenciais. Mesmo assim, com o crescimento do primeiro trimestre já situado no topo das expectativas, a administração sustenta que a forte procura externa de electrónica ligada à inteligência artificial, a robusta actividade financeira transfronteiriça e a crescente integração com a Grande Baía deverão continuar a apoiar a economia de Hong Kong nos próximos trimestres.


