A defesa dos direitos das pessoas LGBTIQ+ voltou ao centro do espaço público luxemburguês, num ano marcado pelo receio de recuos naquilo que já se julgava conquistado. A 27.ª edição da Luxembourg Pride encheu as ruas da capital. A ministra da Igualdade entre os Géneros e da Diversidade, Yuriko Backes, esteve presente. E deixou um recado claro: o Grão-Ducado não pretende abrandar.
Organizada anualmente pela associação Luxembourg Pride, a Pride é o acontecimento maior do calendário dedicado à comunidade. Celebra a diversidade e reclama igualdade. Mas é também protesto — contra a intolerância, a discriminação e todas as formas de violência assentes na orientação sexual, na identidade de género ou na expressão de género. No local, o ministério competente manteve uma banca de informação.
Foi ao lema desta edição, «Growing Together», que a governante quis associar-se. «Nestes tempos, trata-se de um sinal forte, tanto dentro como fora das nossas fronteiras», afirmou. «O Luxemburgo continua a ser um país onde a tolerância, o respeito, a solidariedade, a coesão social e o respeito pelos direitos humanos fundamentais ocupam um lugar central.»
O tom, porém, não foi só de festa. Há anos que se acumulam sinais de retrocesso. «No mundo, na Europa, e também entre nós, no Luxemburgo, cada vez mais jovens já não se atrevem a assumir-se», alertou Yuriko Backes. Muitos, sublinhou, procuram as associações LGBTIQ+ à busca de um espaço de diálogo e aconselhamento, ou para denunciar e superar discriminações, insultos e violências psicológicas ou físicas de que são alvo.
Daí o compromisso reiterado pelo Governo. «Continuaremos a apoiar as nossas organizações parceiras com os meios ao nosso dispor», garantiu a ministra, apontando ao combate ao ódio, à discriminação e à violência. O objectivo? «Uma sociedade em que todos e todas — independentemente do género, da orientação sexual ou da identidade de género — se sintam acolhidos, compreendidos e capazes de se realizarem plenamente, gozando dos mesmos direitos.»
A marcha não foi o único momento da semana. A 3 de julho, a governante juntou-se ao «Pride Run», recordando que tolerância, respeito e não-violência são valores inseparáveis de uma sociedade fundada nos direitos humanos. Três dias depois, a 6 de julho, fez-se representar na cerimónia nacional de homenagem às vítimas de actos LGBTIQ+-fóbicos, em Esch-sur-Alzette, pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Xavier Bettel, e pela deputada Mandy Minella, que preside à comissão parlamentar da Família, das Solidariedades, do Viver Juntos, do Acolhimento, da Igualdade entre os Géneros e da Diversidade.


