A gestão dos recursos que financiam o desenvolvimento rural e a conservação ambiental em Moçambique passa a ter novo responsável máximo. O Conselho de Ministros aprovou, por resolução, a nomeação de Dino Foi para a presidência do Conselho de Administração do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), em substituição de Cláudio Borges. A decisão foi tomada na 21ª sessão ordinária do executivo e noticiada pelo jornal moçambicano Ikweli.
Não é um lugar decorativo. O FNDS é uma instituição pública autónoma, tutelada pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, e concentra a gestão e o financiamento de projectos ligados ao desenvolvimento rural, à conservação ambiental, ao combate à seca, às alterações climáticas e à administração de terras. Numa palavra: é por ali que passa boa parte do dinheiro destinado ao interior do país.
As atribuições da instituição vão além do simples desembolso. Cabe-lhe mobilizar, gerar e gerir recursos financeiros, canalizando-os para acções que sustentem o desenvolvimento rural de forma integrada e duradoura. O fundo apoia ainda estratégias e programas de investigação científica no meio rural, financia iniciativas de gestão ambiental, de adaptação e mitigação às alterações climáticas, de gestão sustentável das florestas e de conservação da biodiversidade, além de participar no capital de sociedades cujo objecto contribua para esses fins. A mobilização de verbas junto de parceiros bilaterais e multilaterais completa o mandato.
Quanto ao novo presidente, chega de fora da administração pública. Até à data da nomeação, Dino Foi era director executivo da Fundação Tzu Chi de Moçambique, onde coordenou iniciativas humanitárias com implantação nacional nas áreas da caridade, educação, saúde e cultura humanística. Segundo o Ikweli, acumula ainda as funções de Cônsul Honorário do Cazaquistão em Moçambique e de administrador não executivo da Bolsa de Valores de Moçambique.
Para a comunidade moçambicana radicada no Luxemburgo, a mudança tem leitura própria. O FNDS é o principal interlocutor nacional junto de doadores internacionais em matéria de clima e florestas — precisamente o terreno onde se decidem os apoios que chegam às zonas rurais de onde muitos emigraram.


