A coragem dos resistentes luxemburgueses e a memória das vítimas da ocupação nazi marcaram as cerimónias do Dia de Comemoração Nacional, realizadas este domingo, 11 de Outubro, no Luxemburgo. A celebração assinalou os 80 anos da primeira comemoração oficial, instituída em 1946, e os 85 anos do histórico recenseamento de 10 de Outubro de 1941, que acabou por ser cancelado após a mobilização da Resistência. Na altura, a população foi incentivada a responder «luxemburguês» às perguntas sobre língua materna e origem étnica, contrariando as intenções das autoridades nazis. Este episódio tornou-se um dos maiores símbolos da resistência à ocupação alemã.
Segundo o Governo do Luxemburgo, as homenagens recordaram os mais de 10 mil jovens luxemburgueses obrigados a integrar o exército alemão, as 3.614 jovens forçadas a trabalhar para o ocupante e as famílias deslocadas à força. Foram igualmente evocados os mais de 1.200 judeus do Luxemburgo vítimas do Holocausto. As cerimónias começaram no Monumento Nacional da Solidariedade Luxemburguesa, onde o Grão-Duque depositou uma coroa de flores e discursou pela primeira vez nesta comemoração. As homenagens prosseguiram junto ao monumento dedicado às vítimas do Holocausto, na Gëlle Fra, em Hollerich e no memorial Hinzerter Kräiz, com a participação de várias autoridades nacionais.
Para as comunidades estrangeiras, incluindo os milhares de portugueses que escolheram o Luxemburgo para viver e trabalhar, compreender o significado destas cerimónias representa também uma forma de conhecer melhor a história do país que os acolheu. A liberdade, a democracia e os direitos de que hoje beneficiam luxemburgueses e residentes estrangeiros estão ligados a um passado marcado pela guerra, pela perseguição e pela resistência à opressão. Conhecer estes acontecimentos permite aos imigrantes compreender melhor a identidade luxemburguesa, o valor atribuído à independência nacional e a importância da memória colectiva. A integração não passa apenas pela aprendizagem das línguas ou pelo conhecimento das instituições, mas também pelo respeito e pela compreensão da história do país de acolhimento.
No seu discurso, o primeiro-ministro Luc Frieden destacou que preservar a memória histórica implica assumir responsabilidades no presente, defendendo a participação cívica, o respeito pela dignidade humana e a luta contra a exclusão. As comemorações terminaram com um encontro cultural no Lycée Edward Steichen, em Clervaux, onde os alunos partilharam reflexões sobre a Segunda Guerra Mundial. Na proclamação oficial, o Governo do Luxemburgo reafirmou o compromisso de combater o anti-semitismo, o racismo e a intolerância. Uma mensagem que também diz respeito às comunidades imigrantes, hoje parte integrante da sociedade luxemburguesa, e que recorda a importância de preservar os valores de liberdade, solidariedade e convivência democrática.



