A escassez de combustíveis em São Tomé e Príncipe está a agravar as dificuldades económicas e sociais da população, provocando aumentos nos preços dos transportes, dos alimentos e de outros bens essenciais. A falta de gasolina e petróleo tem afectado milhares de famílias, enquanto o mercado informal, conhecido localmente como candonga, se tornou uma das poucas alternativas para conseguir combustível. Os preços são exorbitantes. Em alguns casos, um litro de gasolina chega a custar 100 dobras, frequentemente o triplo do preço oficial, obrigando taxistas e outros profissionais a suportar despesas cada vez mais elevadas para continuarem a trabalhar. Segundo o jornal Téla Nón, a situação está a comprometer o funcionamento de várias actividades económicas no arquipélago.
A crise também chegou às cozinhas. Sem petróleo para preparar as refeições, muitas famílias recorrem à lenha e ao carvão, cujos preços também aumentaram. Neyde Bandeira, vendedora num mercado da capital, descreve uma realidade particularmente difícil. Além das despesas diárias com os transportes, afirma que passou dois dias sem conseguir cozinhar em casa. A chuva deixou o carvão molhado e o petróleo, quando aparece na candonga, custa entre 40 e 50 dobras por litro. Para quem tem filhos pequenos, a situação é ainda mais preocupante. Neyde recorda que muitas famílias não dispõem de recursos para comprar gás, considerado um luxo inacessível para os mais pobres. Elka da Cruz partilha a mesma indignação, lamentando que a lenha e o carvão estejam cada vez mais caros, enquanto os salários permanecem praticamente inalterados.
Os efeitos da falta de gasolina são igualmente visíveis nas ruas de São Tomé. A circulação de táxis diminuiu consideravelmente, sobretudo durante a tarde, deixando passageiros com menos opções de transporte. Claudino Sousa relata que ainda se encontram algumas viaturas durante a manhã, mas que estas praticamente desaparecem ao longo do dia. Os profissionais do sector enfrentam uma escolha difícil: comprar combustível a preços especulativos ou interromper a actividade. Um dos trabalhadores ouvidos pelo Téla Nón admite pagar 100 dobras por litro de gasolina no mercado informal para continuar a atender os clientes. A subida dos custos de transporte também afecta a distribuição de mercadorias, pressionando os preços dos produtos vendidos nos mercados e agravando as dificuldades das famílias que já vivem com orçamentos reduzidos.
A dimensão da crise ultrapassa largamente os postos de abastecimento. Sendo os combustíveis essenciais ao transporte de pessoas e mercadorias, a sua escassez repercute-se em praticamente todos os sectores da economia são-tomense. Comerciantes, taxistas e consumidores enfrentam despesas crescentes, num contexto em que os rendimentos não acompanham a subida do custo de vida. O descontentamento aumenta. Elka da Cruz considera que São Tomé e Príncipe está a atravessar uma situação económica cada vez mais grave, chegando a afirmar que o país atingiu o fundo do poço. Os testemunhos recolhidos pelo jornal Téla Nón, numa notícia publicada a 9 de Outubro de 2026, revelam o impacto directo da rotura de combustíveis no quotidiano da população, desde as dificuldades para chegar ao trabalho até à impossibilidade de preparar uma refeição em casa.



