A escassez de combustíveis em São Tomé e Príncipe deverá prolongar-se por mais uma semana, agravando as dificuldades da população e comprometendo o funcionamento de vários sectores da economia. A chegada de novos carregamentos de gasolina, gasóleo, combustível para aviação e petróleo, inicialmente prevista para a semana passada, foi novamente adiada. O ministro da Economia e Finanças, Gareth Guadalupe, admite agora que, na melhor das hipóteses, o abastecimento poderá ser restabelecido até à próxima quarta-feira, 21 de Outubro.
O governante apelou à paciência dos cidadãos, reconhecendo o descontentamento provocado pela crise. «Eu compreendo que a paciência tem limites, mas não há outra solução», declarou, durante uma conferência à margem de um evento na capital são-tomense. Gareth Guadalupe garantiu que estão a ser desenvolvidos esforços para assegurar a chegada dos produtos petrolíferos, numa altura em que a falta de combustíveis já provocou aumentos nos preços dos transportes, dificuldades de deslocação dos trabalhadores e perturbações na actividade das empresas privadas.
A venda ilegal de combustíveis também está sob vigilância. Segundo o ministro, uma equipa governamental, em colaboração com a Polícia Nacional, está a acompanhar a situação e recebeu instruções para identificar os postos de abastecimento ou contentores envolvidos na comercialização irregular. Os estabelecimentos responsáveis poderão ser imediatamente encerrados. A medida pretende travar a especulação e combater a venda clandestina de produtos petrolíferos, numa altura em que a procura continua a superar a oferta disponível.
Na origem da crise estão dificuldades financeiras que impedem o país de garantir novas importações. Gareth Guadalupe explicou que a subida contínua dos preços dos combustíveis nos mercados internacionais tem aumentado os montantes necessários para efectuar as compras, mesmo quando estas são preparadas antecipadamente. A falta de recursos acaba por comprometer as operações de abastecimento. De acordo com o Jornal Tropical, o Governo de São Tomé e Príncipe continua a procurar soluções para ultrapassar a ruptura, enquanto a população enfrenta mais dias de incerteza e dificuldades no quotidiano.



